Narrado por André
Desde que a porta da sala se fechou atrás dela no último encontro, levando consigo aquele olhar marejado que me perseguiu a noite inteira, eu não tive mais paz. A imagem da sua silhueta, pequena e decidida, desaparecendo no corredor frio da faculdade, era um filme mudo que se repetia na minha mente a cada vez que eu fechava os olhos. Era uma tortura auto imposta, uma punição por ter cruzado uma linha que, como professor e mentor, eu jamais deveria ter sequer me aproximado. Tentei convencer a mim mesmo de que deveria aceitar o que Camila disse, que havia sido apenas uma noite. Uma lembrança bonita, selvagem, intensa… mas nada mais do que isso. Eu repassava o mantra na minha cabeça: apenas uma noite, André. Apenas um erro delicioso. Eu precisava acreditar nisso para manter a fachada, para proteger a minha carreira e, mais importante, para proteger a dela. A diferença de idade, a hierarquia, o risco de escândalo; tudo isso gritava "pare" em um coro ensurdecedor de razão