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CAPÍTULO 3: O CÁLCULO DO DESEJO

Lorenzo

Eu sempre me orgulhei do meu controle. No mundo da tecnologia, o caos é apenas um dado que ainda não foi processado, e eu sou o melhor processador que a SafeTech Solutions já teve. Eu antecipo crises, leio códigos e, principalmente, leio pessoas. Para mim, todos têm um padrão, uma lógica, um preço.

Mas Samanta era uma falha no sistema. Uma variável que eu não conseguia isolar.

Desde o momento em que a vi no pavilhão, emoldurada pela luz fria que refletia naquele protótipo elétrico, meu foco desapareceu. Eu deveria estar avaliando o hardware da concorrência, mas meus olhos ficaram presos naqueles olhares de âmbar. Ela tinha uma postura defensiva, quase altiva, que não condizia com o ambiente. E quando ela abriu a boca para falar sobre criptografia quântica, eu senti o primeiro solavanco no meu peito. Ela não era apenas bonita; ela era perigosa porque tinha uma essência que eu não encontrava em lugar nenhum.

Agora, aqui na cobertura, eu me sentia como um adolescente idiota. Eu, Lorenzo, o homem que negociava fusões bilionárias sem suar, estava com as mãos levemente inquietas enquanto a guiava pela festa.

No entanto, a dúvida martelava na minha cabeça como um ruído de fundo. Quem é ela realmente?. O mundo da moda e das feiras de luxo era um terreno fértil para o que Matteo chamava de "atalhos". Garotas jovens, bonitas e desesperadas por dinheiro fácil que aceitavam qualquer convite em troca de uma transferência bancária ou um presente de grife. Samanta não parecia ser assim, mas a lógica dizia o contrário. O que uma mulher com aquele intelecto estaria fazendo sorrindo ao lado de um carro para homens ricos?

— Venha por aqui — eu disse, tocando levemente a curva das suas costas. A pele dela parecia queimar através do tecido fino do vestido.

Levei-a para a varanda lateral, um refúgio de sombras onde o som do jazz chegava abafado. Havia um sofá de couro profundo ali, cercado por plantas tropicais que barravam a vista dos curiosos. Nós nos sentamos, e por um momento, apenas o brilho das luzes da cidade lá embaixo serviu de companhia.

— Fale-me de você, Samanta — pedi, observando como ela segurava a taça de cristal. — O que uma especialista em segurança quântica faz quando não está humilhando executivos em feiras de automóveis?

Ela desviou o olhar para o horizonte, um pequeno vinco surgindo entre suas sobrancelhas.

— Minha vida é... complicada — ela respondeu, a voz saindo baixa, quase evasiva. — Eu apenas faço o que é necessário para chegar onde quero.

— E onde você quer chegar?

— Longe — ela disse, voltando a me encarar. — Mas o caminho é mais íngreme do que eu imaginava.

Aquela resposta me deixou com uma pulga atrás da orelha ainda maior. Evasiva. Misteriosa. Será que o "complicado" dela era apenas um código para "estou à venda para quem pagar mais"? Uma parte de mim queria acreditar que não, mas o cinismo que me fez ser quem eu sou sussurrava que não existiam milagres.

— Fique aqui. Vou buscar mais uma bebida para nós — eu disse, precisando de um segundo para organizar meus pensamentos.

Caminhei em direção ao bar interno. No caminho, vi Matteo. Ele estava perto da mesa de som, rindo abertamente com a amiga de Samanta, Anna. Anna gesticulava, animada, e Matteo parecia hipnotizado. Ele sempre foi mais fácil de agradar, mais aberto. Eu o invejei por um segundo.

Peguei as taças e voltei para a varanda. Quando me aproximei de Samanta, o ar pareceu ficar mais denso. Estendi a mão para entregar a bebida e, quando nossos dedos se roçaram, a corrente elétrica foi inevitável. Foi como um curto-circuito em um servidor central.

Eu não consegui mais lutar contra aquilo. Coloquei as taças na mesa lateral sem desviar os olhos dela.

— Lorenzo... — ela começou a dizer, mas eu a silenciei cobrindo seus lábios com os meus.

O beijo foi uma explosão. Não houve suavidade ou hesitação; foi carregado de um desejo acumulado, de fogo e de uma fome que eu não sabia que possuía. Samanta correspondeu com a mesma intensidade, suas mãos subindo para o meu pescoço, puxando-me para mais perto, como se também estivesse sufocando por aquele toque.

Quando nos afastamos, estávamos ambos sem ar. Notei algumas pessoas noa varanda principal olhando na nossa direção, cochichando. Eu não queria público. Eu não queria dividir aquele momento com ninguém.

— Vem comigo — eu sussurrei contra sua pele.

Segurei sua mão e a levei para dentro, atravessando o corredor até o quarto que Matteo sempre deixava reservado para mim quando eu decidia dormir ali. Assim que entramos e a porta se fechou, o silêncio foi absoluto. O isolamento acústico daquela cobertura era impecável; o som da festa sumiu, deixando apenas o barulho das nossas respirações descompassadas.

Eu a prensei contra a porta, e nos beijamos novamente. Desta vez, não havia mais barreiras. Minhas mãos mapearam suas curvas através do vestido preto, sentindo a firmeza do seu corpo sob o tecido.

Samanta me olhava como se ainda estivesse tentando decidir se eu era um erro ou uma tentação.

Talvez eu fosse os dois.

Eu estava acostumado a controlar tudo.

Mas perto dela, meu autocontrole parecia falhar em pequenas rachaduras perigosas.

— Você faz ideia do que está fazendo comigo? — minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia.

Ela prendeu a respiração.

E isso foi pior.

Porque, naquele momento, eu percebi que Samanta não fazia esforço para parecer irresistível.

Ela simplesmente era.

Me aproximei lentamente, dando a ela tempo para recuar.

Ela não recuou.

Os dedos dela tocaram meu maxilar, hesitantes por um segundo… antes de se fecharem na gola da minha camisa como se precisasse se segurar em alguma coisa.

Aquilo destruiu o resto da minha sanidade.

Eu a beijei de novo, mais profundo dessa vez, sentindo o gosto do champanhe ainda preso na boca dela. Samanta correspondeu imediatamente, intensa, quente, sem a falsa delicadeza das mulheres que tentavam me impressionar.

Ela me queria de volta.

E aquela constatação foi perigosamente viciante.

Minhas mãos subiram lentamente pelas costas dela, e senti o arrepio atravessar o corpo dela inteiro quando afastei uma das alças do vestido com os dedos e tracei beijos do seu maxilar até a sua clavícula, abaixei a segunda alça do seu vestido e apalpei o seu seio que parecia encaixar perfeitamente em minha mão, ela arfou com o toque, e eu a beijei novamente, segurando uma perna dela, enquanto ela enlaçava suas pernas em meu quadril, eu abaixei a taça do seu sutiã e abocanhei o seu seio, cada toque em sua pele reagia como uma corrente elétrica ativando cada terminação nervosa.

Eu poderia tê-la levado para a cama imediatamente.

Mas não queria rapidez.

Queria sentir cada reação.

Cada suspiro.

Cada segundo em que ela esquecesse o mundo lá fora.

— Lorenzo… — meu nome saiu baixo dos lábios dela, quase um aviso.

Ou um pedido.

Eu não sabia mais diferenciar.

Encostei minha testa na dela por um instante, tentando recuperar algum resquício de racionalidade.

Fracassei miseravelmente.

Porque aqueles olhos âmbar me olhavam como se enxergassem além do homem que eu fingia ser.

E ninguém nunca fazia isso.

Minha mão deslizou pela perna dela, lentamente, sentindo o corpo dela estremecer sob meu toque. Samanta mordeu o próprio lábio para segurar um som, mas eu percebi.

Percebi tudo.

Cada pequena perda de controle.

Cada respiração irregular.

Cada tremor.

E aquilo mexia comigo de uma forma quase violenta.

Eu a ergui no colo, e ela envolveu as pernas na minha cintura sem hesitar, os dedos afundando nos meus ombros enquanto eu caminhava até a cama.

— Você é linda... — falei entre beijos, eu me despi com pressa, o som das roupas caindo no chão sendo o único ruído no quarto escuro, e a intensidade só aumentou. Cada toque meu era uma pergunta, e cada resposta dela — em forma de gemidos e unhas cravadas nos meus ombros — me levava mais perto do abismo. Eu tirei a calcinha dela, e subi o seu vestido, formando um embolar de tecido em sua cintura, tracei beijos na parte interna de sua coxa fazendo ela arquear na cama, quando passei a língua em sua abertura ela soltou um gemido alto que ecoou pelo quarto.

Por um segundo eu apenas a observei.

Bonita demais.

Inteligente demais.

Perigosa demais.

Talvez fosse exatamente por isso que eu não conseguia parar.

Quando a beijei outra vez, já não existia espaço para lógica entre nós.

Só aquela fome absurda de sentir mais.

Mais dela.

— Lorenzo... hum... — ouvir o meu nome saindo de seus lábios era como ouvir o canto de uma sereia, eu deslizei um dedo pra dentro dela, sentindo a sua humidade enquanto minha língua fazia movimentos circulares em seu clitóris, e ela puxava o meu cabelo gemendo e gritando meu nome.

Em um movimento eu a virei na cama deixando aquela bunda perfeita pra cima e encostei meus lábios no seu ouvido — O que você quer Samanta? Você quer que eu te foda agora?

— Sim... por favor... me fode. — Caralho, ela estava pedindo por favor pra eu entrar dentro dela, eu peguei uma camisinha que estava na primeira gaveta, e deslizei em meu pau, e em um movimento eu estava dentro dela, tão apertada eu não sabia quanto tempo iria aguentar,foi cru, intenso e devastador. Eu me perdi nela de uma forma que nunca havia permitido com nenhuma outra mulher.

Mas, mesmo no auge do prazer, uma parte do meu cérebro continuava processando a mesma dúvida: quanto isso vai me custar no final?.

Quando finalmente o orgasmo nos quebrou como uma onda gigante de prazer, exaustos e suados sob os lençóis de linho, o silêncio do quarto parecia pesado. Samanta adormeceu rapidamente, o rosto sereno, escondendo todos os segredos que me deixavam em vigília. Eu a observei por um longo tempo, sentindo o peso do que acabara de acontecer.

Eu estava fascinado. E era exatamente por isso que eu precisava ser implacável na manhã seguinte. Se ela fosse o que eu suspeitava, eu terminaria aquilo antes que ela pudesse me quebrar.

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