CAPÍTULO 171.
O palácio de Alexei, em Teerã, é um monumento à opulência persa e à brutalidade silenciosa do poder. Encravado numa colina que observa toda a cidade, com seus domos dourados e paredes cravejadas de pedras semipreciosas, ele parece um pedaço de lenda arrancado de “As Mil e Uma Noites”. Do portão de entrada, guardas fardados com trajes tradicionais persas e armamento moderno se alinham como sombras douradas sob o sol poente. Fontes jorram com precisão coreografada pelos corredores do jardim, e o aroma de açafrão, cardamomo e jasmim paira no ar como um lembrete de que, apesar do luxo, há sempre algo podre por trás da beleza.
Eliyahu me avisou com dias de antecedência que passaríamos a virada do ano ali, e como sempre, não pediu minha opinião. Apenas disse:
— Veste algo digno de uma boneca persa. Não quero te ver apagada no meio dos meus irmãos.
A mansão é viva. Não pelo calor humano, mas pelo poder que se espalha em cada canto. Os primeiros que encontramos foram Mickelson — sempre digno,