A luz da manhã de abril entrava no meu estúdio com uma clareza que parecia quase invasiva. Não era mais o brilho gélido e cortante de janeiro; era algo novo, carregado de partículas de poeira que dançavam em uma valsa lenta sobre a minha mesa de luz. Eu observava o negativo que acabara de secar. Nele, a mão de Julian segurava um martelo, não mais um compasso de precisão.
Olhe para ele, Elena, minha voz interior sussurrou, aquele eco constante que nunca me permitia ser apenas uma espectadora passiva. Ele está tentando reconstruir o mundo com as mesmas mãos que ajudaram a projetar a sua queda. Mas será que o concreto cura a culpa?
Eu o observava através da fresta da porta enquanto ele estudava as plantas do centro comunitário que havíamos planejado para o Distrito Sul. Ele não usava mais ternos; usava camisas de flanela e jeans desgastados, mas a postura... a postura ainda era a de um homem que esperava que as paredes cedessem ao seu comando.
Ele carrega o fantasma de Arthur Vane em