O veredito não foi anunciado com um estrondo, mas com um suspiro coletivo que pareceu esvaziar os pulmões de Chicago. O juiz, um homem cujas linhas no rosto contavam histórias de décadas de justiça amarga, proferiu as palavras que selariam o destino de Julian: culpado por negligência profissional, mas com uma sentença suspensa em virtude da coação comprovada e de sua colaboração crucial para desmantelar o esquema de Marcus Thorne.
Julian estava livre. Ou, pelo menos, livre das correntes de ferro e das paredes de concreto.
O encontro foi marcado para o píer do Lago Michigan, ao entardecer. Julian não queria o brilho das câmeras, nem o burburinho dos advogados. Ele queria o horizonte — aquele lugar onde o céu e a terra se fundem, e onde não há plantas ou ângulos retos para ditar o que deve ser sentido.
Eu cheguei primeiro. O vento soprava do lago, trazendo consigo o cheiro de água gelada e a promessa de uma primavera que ainda se escondia sob o gelo. Minha Leica estava pendurada no