Mundo de ficçãoIniciar sessãoA porta da casa segura rangeu ao ser aberta por Dan, um som que deveria ser um suspiro de alívio, de chegada. Para mim, foi o ruído de uma cela se fechando. O cheiro que invadiu minhas narinas era um fantasma: lasanha no forno, ceras de madeira antiga, e o leve vestígio de pólvora que parecia impregnado nas vigas. Era o aroma da minha infância, mas agora me chegava como o perfume de um quarto de hotel alheio.
— Emily! — a voz de Dan ecoou pelo corredor, carregada de uma ansiedade que ele raramente permitia transparecer. — Olha quem finalmente resolveu voltar para o aprisco!Passos rápidos se aproximaram da cozinha, e então ela apareceu na porta do corredor. Emily Carter. Minha mãe. Ela usava um avental manchado de molho de tomate, e as mãos – mãos que eu lembrava segurando uma arma com a mesma naturalidade com que agora seguravam uma colher de pau – estavam tremendo levemente. Seus olhos, do cinza tempestuoso de uma manhã de tempestade, encontraram os meus e se enc






