Cap. 6
A estrada era um rio escuro cortando a noite.
Dentro do carro, o silêncio era quebrado apenas pelo ronco do motor e pelos soluços abafados que ainda escapavam, mesmo no sono, da figura suja e moribunda encolhida no banco de trás.
Aron, o Beta, tinha os dedos brancos de tanto apertar o volante. Cada olhada no retrovisor era uma punhalada. Lirah, sua Lirah, estava reduzida a um novelo de dor e tecido rasgado.
A pele marcada por galhos, o vestido azul-claro – aquele que ela vestira com tanta esperança, agora um trapo sujo de terra e lágrimas.
Até dormindo, seu corpo tremia, e um choro rouco e inconsciente saía de seus lábios. A dor havia invadido até seus sonhos, não lhe dando trégua.
"Minha menina...", a palavra morreu em sua garganta, um nó de raiva e impotência.
Lirah era seu milagre. Após anos de tentativas frustradas, ela chegara como um presente direto da lua para ele e Elarah.
Não era apenas sua filha, era a prova de sua benção, sua linha sucessória, o centro frágil e pre