Mundo de ficçãoIniciar sessão"Dez milhões." Eu fui vendida. No dia em que enterrei minha mãe, meu pai me arrastou para um leilão clandestino, me expôs no palco na frente de alfas que faziam apostas em voz alta, e declarou para todo mundo que eu nunca fui filha dele. Os lances eram ridiculamente baixos. Até Eros Kane aparecer do fundo da sala. O temido Alfa do Norte me comprou, me marcou e me levou para o território dele sem explicar nada, apenas que minha família destruiu a alcateia dele com uma praga e que a dívida seria cobrada de dentro da família Hart. O que ele não me falou: que sabia que eu era sua destinada desde que seus dentes se fundiram à minha carne, e que isso era irrelevante para ele. Mas o que nenhum de nós dois sabia era que o pingente que minha mãe me deixou carregava a cura para a praga que ainda está matando o povo dele. E que meu sangue foi o ingrediente secreto para sua criação. Bem-vindos à minha vida...
Ler maisMúsica do capítulo: Smells Like Teen Spirit - Ember Trio
Vênus Hart
Eu não sabia o que era aquele lugar.
Só sabia que meu pai me arrastou até lá sem explicação. Horas antes, ele jogou uma túnica estranha em meu rosto e me obrigou a me trocar na frente dele e de seus lobos. Me vigiando para ter certeza de que eu faria exatamente o que ele queria.
Depois disso apenas me enfiou no carro e parou na frente daquele lugar que mais parecia um... como eu poderia dizer.... um matadouro.
A sala era grande, mal iluminada, cheia de homens que eu não reconhecia. Alfas, pela aura que dominava o lugar. Pela forma como os rosnados se sobrepunham uns aos outros. Principalmente quando algo parecia excitá-los.
Minha loba se encolheu antes que eu entendesse o motivo.
"Papai." Segurei o braço dele antes que ele me empurrasse para frente. "O que é esse lugar? Por que me trouxe aqui? O que está acontecendo?"
Ele não respondeu. Só soltou meu braço com um movimento brusco.
"Fique quieta."
Olhei por cima do ombro tentando localizar uma saída. Tudo em mim gritava que eu precisava fugir, mas para onde? Ali parecia ser uma verdadeira prisão.
Não havia saída. E isso começou a me desesperar.
O homem no centro do salão bateu uma vez com o martelo na bancada e as conversas morreram.
"Próximo lote, senhores." A voz era casual, como quem anuncia um objeto barato. "Loba da Alcateia Hart. Vinte e três anos, saudável e virgem."
O estômago virou.
"Lote?" A palavra saiu em um sussurro. Olhei para meu pai com o coração disparado. "Papai, o que o senhor está fazendo?"
Ele não olhou para mim.
"Alfa Hart." O homem do martelo acenou na direção dele. "O senhor tem algo a declarar sobre a mercadoria antes de abrirmos os lances?"
Mercadoria. Eu era a mercadoria.
Meu pai se virou para mim, e o que vi nos olhos dele não era vergonha. Era alívio. O alívio de quem finalmente vai se livrar de um peso que carregou tempo demais.
"Finalmente." Disse baixo, só para mim. "Sua mãe morreu e eu vou poder me vingar da vergonha que ela me fez passar."
"Vergonha? Papai..." As lágrimas vieram antes que eu pudesse segurar. "Eu sou sua filha!"
O riso que saiu dele foi curto e sem humor.
"Não." Falou com uma clareza que me cortou de cima a baixo. "Você nunca foi."
O salão inteiro ouviu.
"Pai... o senhor não está pensando direito..."
"Sua mãe me traiu com outro lobo enquanto eu estava viajando. Matei o seu verdadeiro pai e a arrastei de volta, fazendo a vida dela ser miserável." Ajeitou o paletó como se estivesse descrevendo o tempo lá fora. "Criei você apenas para um dia te vender aqui. Queria que a praga não a tivesse levado para ela ver a filha preciosa dela sendo vendida para um alfa que a trate como você merece."
O silêncio no salão durou dois segundos.
"Ela nunca fez isso... o senhor não pode falar isso sobre ela!" o tapa estalou forte em meu rosto, e pousei minha mão no local.
Ele se aproximou sem aviso e fechou os dedos na túnica, puxando com uma força que não deixou espaço para reação. O tecido cedeu de uma vez , rasgando do ombro até a cintura, abrindo em pedaços que caíram ao chão sem cerimônia.
O silêncio que tomou a sala foi diferente do anterior.
Fiquei parada com os ombros completamente expostos, a pele clara contrastando com as marcas vermelhas das agressões dentro do carro até ali. O tecido que sobrou mal cobria os seios, e as pernas, nuas até a coxa, ficaram à mostra para cada olhar naquele salão.
Tentei juntar os pedaços do que restava do tecido, mas era impossível, não tinha como esconder tudo.
Um murmúrio percorreu a sala. Não era de desconforto. Era de interesse.
Ergui o queixo porque era a única coisa que ainda podia fazer. Não ia deixar que me vissem encolher. Mas senti cada olhar como uma queimadura na pele.
"Por que está fazendo isso?"falei novamente, as lágrimas escorrendo ainda mais. "Eu sempre fui uma boa filha, sempre fiz tudo que me pediu." eu precisava que ele se lembrasse disso. Mas ele apenas riu.
"Nunca mais me chame de pai." Virou as costas enquanto um lobo prendia minhas mãos numa corrente chumbada no chão.
Puxei com força e então ouvi as vozes dos lobos ao redor, rindo e se deliciando com a minha desgraça. Levantei os olhos a procura de alguém que pudesse me ajudar e então eu vi o Dante.
Sentado na segunda fila. O lobo que um dia me jurou amor. Que jurou me fazer sua Luna, estava na plateia assistindo de camarote.
E se não fosse o bastante, Emília, minha irmã, estava no colo dele, com a mão no peito dele, exibindo um enorme anel de diamantes.
Nossos olhos se encontraram.
"Dante." A palavra saiu como um sopro. "Por quê Me ajude..."
Ele desviou o olhar como se eu nunca tivesse feito parte da vida dele.
Emília sorriu e puxou o queixo dele, dando um beijo demorado nos lábios dele. Fechei os olhos com força. Por que tudo estava desmoronando?
O martelo bateu com força e me assustei.
"Abrimos os lances. Começamos com 10 mil dólares?"
"Eu ainda sou a filha do Alfa Hart!" A voz saiu antes que eu pudesse segurar, desesperada, olhando para os guardas, para o leiloeiro, para qualquer rosto que me olhasse de volta. "Papai, por favor! Manda eles pararem! Você não pode fazer isso comigo!"
Ninguém se moveu, apenas as vozes voltaram ainda mais altas e nojentas.
"Olha só essa carinha de choro..." Um alfa no fundo falou alto, sem se preocupar em ser discreto. "Será que vale a pena gastar uns dólares para levar essa bonequinha pra minha cama?"
OS lobos ao lado dele riram e ele deu um lance ridículo.
"Gostosa demais." Outro. "Quero ver se ela grita tão alto quanto chora." E ele ofereceu um pouco mais que o outro.
Mais risadas. Mais vozes. Crescendo, se sobrepondo, preenchendo cada canto da sala como se eu não estivesse ouvindo. Como se eu não estivesse ali.
"Não importa de quem ela é filha." Uma terceira voz, mais perto. "Hoje ela é só um pedaço de prazer pra quem pagar mais. Dou 60 mil dólares."
"Quem dá mais...?"
Tentei me mover. Tentei dar um passo para qualquer direção. A corrente não deixou e as pernas não obedeceram, e a visão foi ficando turva enquanto os lances eram dados. Baixos, ridiculamente baixos, como se a vida de alguém valesse tão pouco assim.
Desmoronei no chão. Fechei os olhos e rezei para a única pessoa que me amou de verdade.
Mamãe. O que eu faço? Por que ele está fazendo isso comigo?
Sem pensar, levei as mãos ao pingente e o fechei na palma. A pedra aqueceu imediatamente, um calor que subia pelos dedos, pelo pulso, pelo peito, diferente de qualquer coisa que eu tinha sentido antes. Como se ela estivesse respondendo.
Abri os olhos devagar.
A pedra escura pulsava com uma luz fraca entre os meus dedos. Quase imperceptível. Mas era real.
Não entendi o que estava acontecendo.
Só fechei a mão com mais força e segurei.
"Alguém dá mais que sessenta mil?" O leiloeiro repetiu, entediado.
O silêncio durou três segundos.
"Dez milhões." Todos se viraram para encontrar a origem da voz. O burburinho na plateia começou a aumentar,
"Quem é? Quem tem tanta coragem de dar tanto dinheiro assim?"
"Não faço ideia... nunca o vi antes. Será que é o líder de alguma alcateia?"
E eu não conseguia enchergar quem estava na parte escura do salão.
VênusEu ainda estava me levantando quando ele apareceu.Eros, na forma de lobo, era simplesmente de tirar o fôlego. Enorme, pelagem negra brilhante como a noite mais escura, músculos poderosos se movendo sob o pelo com uma graça letal. Os olhos dourados queimavam de fúria e algo mais profundo. Meu coração deu um salto violento. Mesmo apavorada, mesmo sangrando, eu não conseguia desviar o olhar. Ele era magnífico. Terrível. Perfeito.Sombria ainda estava atrás de mim no galho, respirando rápido. Meu corpo todo queria ceder, queria descer e correr até ele, mas eu me forcei a ficar onde estava."Coloque ela no isolamento" falei, a voz saindo fraca e rouca. "Se eu sou diferente de alguma forma… vamos ver o que acontece."Mal terminei de falar e o mundo girou. A ferida no ombro latejava forte, o sangue escorrendo quente pelo braço e encharcando a blusa. Eu não imaginava que a loba que me atacou fosse tão violenta. Quando propus que meu sangue podia ajudar, ela surtou. Mordeu fundo, rasgan
Eros KaneEu ainda estava no escritório com Soren, repassando os exames de Mara pela terceira vez. O sangue dela tinha regredido de forma impressionante. Aquilo não era só uma anomalia, era uma maldita esperança. Meu lobo andava inquieto, dividido entre a necessidade de proteger Vênus e a vontade de usá-la para salvar meu povo.A porta do escritório se escancarou com violência.Cristian, meu beta, entrou correndo, o rosto pálido e a respiração ofegante."Temos um problema."Bufei, já cansado de problemas."Mais um? Acho que o que mais temos é problema. O que foi dessa vez?"Ele engoliu em seco antes de responder:"Os lobos ficaram sabendo do que o sangue da Hart fez com a Mara. A notícia se espalhou rápido demais. Eles... eles a jogaram na cela dos selvagens para testar."Meu lobo uivou alto e estrondoso dentro de mim. O som explodiu pela minha garganta antes que eu conseguisse segurar. Um rugido gutural, cheio de fúria pura. Cristian e Soren tamparam os ouvidos, recuando um passo. O
VênusAcordei sobressaltada, o coração já acelerado antes mesmo de abrir os olhos. A luz fria que entrava pela fresta da porta metálica iluminava o quarto cinza e impessoal. Sentei na cama, sentindo o corpo dolorido da noite mal dormida. Ainda vestia as mesmas roupas do dia anterior, a blusa suja de poeira e o jeans rasgado no joelho. O cheiro de hospital e medo ainda grudado no tecido me incomodava profundamente. Eu não tinha nada para trocar. Nada meu. Meu estômago roncou alto. Estava com fome. Muita fome. Fazia quase 12 horas que não comia nada sólido. Levantei devagar, passei a mão pelo cabelo bagunçado e respirei fundo."Eu não posso ficar presa aqui dentro para sempre", murmurei para mim mesma.Abri a porta com cuidado e saí para o corredor. Olhei para todos os lados antes de dar o primeiro passo. O túnel estava silencioso, mas eu sentia olhares invisíveis. Caminhei devagar, tentando memorizar o caminho de volta. Cada curva parecia igual à anterior. Meu nariz tentava captar che
Eros KaneNão preguei o olho a noite inteira.Fiquei deitado no escuro, olhando para o teto de concreto, com o corpo tenso e a mente girando sem parar. Meu lobo ainda estava agitado, andando de um lado para o outro dentro de mim como se tivesse sido drogado. A reação dele com Lívia me deixou atordoado. Eu nunca tinha tratado ela daquele jeito, nunca tinha usado meu poder completo para derrubá-la no chão, humilhando-a na frente de outra pessoa. E o pior? Eu não me arrependia. Nem um pouco.Ela tinha cruzado uma linha que nunca havia cruzado antes. Questionar minha autoridade na frente de Vênus, segurar o braço dela, chamá-la de “loba sarnenta”... Isso não era ciúme comum. Era desafio direto à minha liderança. E meu lobo não aceitava. Não aceitaria nunca mais.Mas o que realmente me mantinha acordado não era Lívia. Era Vênus.O cheiro dela ainda estava grudado em mim. Mais forte. Mais vivo. Meu lobo praticamente ronronava toda vez que eu lembrava do momento, quando ela passou por mim e
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