Cap. 10

Cap. 10

O ar no pomar ainda estava carregado mesmo após Lirah fugir. O cheiro dos lírios prateados parecia pulsar, um aroma vivo que dominava o canto sombreado.

— Elas têm um cheiro… inebriante — Kaelom disse por fim, a voz mais baixa, quase introspectiva. Seus olhos estavam fechados, as narinas levemente dilatadas ao inalar. Era uma expressão de êxtase tão íntima e involuntária que Aron sentiu um desconforto visceral.

— Esse cheiro é a minha filha — Aron cortou, a voz uma lâmina de gelo. — São os lírios que carregam o nome dela. Só ela consegue fazê-los crescer. É um reflexo dela. Puro. Não é algo que um assassino nato deva apreciar.

Kaelom abriu os olhos, o brilho âmbar agora opaco, pensativo.

— Como? Como uma menina cria algo que não existe em nenhum tratado, em nenhum herbário ancestral? Ou botânico?

— É um segredo de família — Aron rosnou, avançando um passo, colocando-se entre Kaelom e o canteiro. Sua postura era a de um guardião, a mesma que teria ao proteger a filha, não mais
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