Continuação.
Selene era tudo o que eu precisava naquele instante: calma, firme e com uma paciência de quem viu mais de mil invernos. Quando pedi o banho, foi ela quem ajeitou o vapor, trouxe as ervas e segurou o pano para eu me encostar. Não era Baltazar — e bem que não seria. Se fosse, eu teria mandado alguém buscar cola e linha.
— Respire fundo, minha senhora — Selene murmurou, enquanto aplicava a infusão morna no meu pescoço. — Essas marcas são profundas, precisamos tratar com cuidado.
Eu fechei os olhos e deixei que o calor e o cheiro de incenso me fossem devolvendo aos poucos. Pela primeira vez em muito tempo, senti as sílabas do riso brotando sem esforço.
— Selene — disse, num tom meio sonolento, meio travesso — eu nunca estive tão feliz. Nem quando era humana.
Ela sorriu, repassando as pétalas esmagadas sobre a pele.
— Fico contente em ouvir isso, minha senhora. Você... você brilha de novo.
— Brilhar é minha especialidade — respondi, abrindo um olho e piscando. —