Continuação.
Quando voltei para o palácio, o eco do lago ainda me acompanhava.
A água parecia ter ficado presa em mim, o som dela misturado à lembrança da pele dela, dos olhos dela.
Tentei afastar esses pensamentos, mas eles vinham com o mesmo peso do ar que eu respirava.
Ao abrir as portas do meu quarto, encontrei Scarlet deitada em minha cama, envolta nos lençóis de seda vermelha, o corpo exposto, o olhar convidativo — como sempre.
Ela me esperava todas as noites, e eu sempre a tomava sem hesitar, como se o prazer fosse a única forma de silenciar o caos dentro de mim.
Mas, naquela noite, algo estava errado.
Eu a encarei... e nada.
Nenhum desejo, nenhuma chama. Apenas o cansaço de um hábito.
Scarlet se ergueu lentamente, os cabelos caindo sobre os ombros nus.
— Pensei que tivesse esquecido o caminho da cama — provocou com um sorriso.
Aproximei-me, mas não por vontade — e sim por negação. Queria provar a mim mesmo que ainda era o mesmo, que nada havia mudado. Toq