Continuação.
A madrugada já se dissolvia em um véu pálido sobre o lago.
O corpo dela repousava sobre o meu, leve, quente, sereno — e, pela primeira vez em toda a minha existência, o silêncio não me incomodava.
Observei cada traço do rosto dela, o modo como os cílios tremiam, como se sonhasse.
O brilho da pele ainda guardava vestígios da luz que havia nos envolvido, e algo em mim simplesmente... cedeu.
Aquilo não tinha sido só desejo.
Não tinha sido apenas a beleza dela, nem a curiosidade por ser a Imaculada, a mais pura, a intocada.
Era algo muito mais fundo.
Algo que me atravessava, que me prendia, que me rasgava por dentro com a mesma força com que me fazia querer protegê-la.
Toquei o rosto dela com a ponta dos dedos, e o som suave da respiração dela me fez sorrir — um gesto esquecido há eras.
Ela era minha.
Não porque eu a tomei, mas porque o universo inteiro parecia ter se dobrado pra isso acontecer.
Passei a mão pelos fios úmidos de seu cabelo, e murmurei