Lua narrando:
A música ecoava pelo grande salão, e risos misturavam-se às vozes eufóricas dos convidados. Todos pareciam se divertir, menos eu. Quanto mais o tempo passava, mais difícil se tornava fingir que estava tudo bem — principalmente quando meus olhos insistiam em encontrá-lo no meio da multidão.
Wei.
Tão distante e ainda assim tão presente em mim.
Ele estava ali, com ela. A mulher ao seu lado parecia brilhar, rindo de tudo o que ele dizia, e isso me corroía por dentro. Senti o ar me faltar. Precisei me afastar antes que aquela dor estampasse meu rosto.
Caminhei para fora do salão, deixando para trás o som das taças e das gargalhadas. O ar do Submundo era pesado, mas, de algum modo, mais fácil de respirar do que o da festa. Diante de mim, o véu que separava dimensões tremulava — um portal vivo, pulsando energia. Por um instante, pensei em atravessá-lo, fugir daquela sensação amarga que me dominava.
Mas a tristeza não passava. Ela se enraizava em mim, sufocando cada batida