Wei narrando
O Submundo pulsa comigo.
Cada chama, cada sombra e cada grito distante respondem à minha vontade. Sou o eco que mantém este reino vivo, o pulso que alimenta as trevas.
Do meu trono, observo as legiões se ajoelharem.
Milhares de seres — guerreiros caídos, espíritos condenados, demônios forjados no ódio. Todos curvam-se diante do meu nome.
Wei.
O Senhor do Submundo, filho do antigo senhor deste submundo.
O que venceu a guerra e silenciou os deuses mortos.
Ao meu lado, está Scarlett. Sempre ela.
Leal, letal e tão bela quanto o próprio pecado.
O manto vermelho que veste parece feito de sangue líquido, e os olhos dela refletem uma devoção que às vezes chega a me incomodar.
— O exército de N’har se fortalece nas margens do Rio das Almas — diz ela, com a voz fria e segura. — Deseja que eu lide com eles, meu senhor?
Não respondo de imediato. Apenas me levanto.
O som das correntes eternas ecoa sob meus pés.
— Não será necessário — murmuro.
Ergo a mão. O ar muda.
A