Continuação.
A solidão me devorava em silêncio.
O salão agora estava vazio, e o som do corpo desaparecendo no ar ainda ecoava na minha mente como um lembrete cruel de que nada... absolutamente nada... poderia preencher o vazio que ele deixou.
Voltei para meus aposentos sem dizer uma palavra. A escuridão do quarto parecia viva, como se respirasse comigo — ou por mim, já que o meu peito não fazia mais isso há eras. As velas tremulavam ao meu redor, sombras dançavam nas paredes, e mesmo com toda a imensidão do poder que eu possuía... eu me sentia pequena.
O espelho refletia alguém que eu mal reconhecia. A mulher de olhar frio e de pele perfeita como mármore.
Nenhum homem jamais a teve, e jamais teria.
A beleza que todos idolatravam era uma maldição — a lembrança viva de algo que eu nunca mais poderia sentir. Meu coração não batia. Meu amor não renascia.
Tudo em mim era o eco de algo que morreu junto com ele.
Caminhei até a penteadeira, puxei a gaveta e encontrei o punhal.