Capítulo 46

Continuação.

A solidão me devorava em silêncio.

O salão agora estava vazio, e o som do corpo desaparecendo no ar ainda ecoava na minha mente como um lembrete cruel de que nada... absolutamente nada... poderia preencher o vazio que ele deixou.

Voltei para meus aposentos sem dizer uma palavra. A escuridão do quarto parecia viva, como se respirasse comigo — ou por mim, já que o meu peito não fazia mais isso há eras. As velas tremulavam ao meu redor, sombras dançavam nas paredes, e mesmo com toda a imensidão do poder que eu possuía... eu me sentia pequena.

O espelho refletia alguém que eu mal reconhecia. A mulher de olhar frio e de pele perfeita como mármore.

Nenhum homem jamais a teve, e jamais teria.

A beleza que todos idolatravam era uma maldição — a lembrança viva de algo que eu nunca mais poderia sentir. Meu coração não batia. Meu amor não renascia.

Tudo em mim era o eco de algo que morreu junto com ele.

Caminhei até a penteadeira, puxei a gaveta e encontrei o punhal.
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