Depois que Lua deixou aquela cidade, nada de humano permaneceu dentro dela. O rastro de doçura e ternura que um dia iluminou seus gestos desapareceu junto com o último suspiro de Wei. O coração da deusa havia despertado — e com ele, o frio que jamais cedia lugar à vida.
O nome “Lua” morreu naquela noite. Era um nome que pertencia a uma mulher fraca, vulnerável, capaz de sentir amor. Agora, ela atendia por outro — Jimmy —, um nome que soava como aço cortando o vento, que trazia o peso de mil eras e a promessa de destruição.
Quando partiu, o céu se recusou a brilhar. As estrelas se esconderam, o vento cessou, e o próprio tempo se curvou em silêncio. Desde então, Jimmy vagou entre os reinos, vestida de sombra e poder. Nenhum altar ousou recebê-la, nenhuma prece se atreveu a mencioná-la. E em sua solidão divina, ela criou algo que o mundo jamais esqueceria: uma seita.
Não uma seita qualquer — mas a pior que o mundo já presenciou em milênios.
Ergueu templos feitos de ossos e véus