Aurora Mancini
Acordei antes do sol. Não por disciplina. Por inquietação. Deitei na sala de estar e fiquei olhando a cidade sem conseguir ficar parada. O corpo pedia algo que não era sexo nem cena. Pedia preparo. Não para caçar. Para não ser caça.
— Aleksei. — chamei, quando senti a presença dele à distância — Hoje eu quero treino.
Ele apareceu no limiar do corredor com a gravidade mansa que aprendi a reconhecer. Assentiu sem pergunta. A forma como ele aceita meus pedidos sempre me desarma.
— O que você quer aprender?
— Quero ler sombras. Quero ouvir passos no concreto. Quero usar salto como arma. Quero transformar algema em contenção e não em adereço.
Fomos para a suíte de dominação, mas tirei a sedução da sala. Nada de velas. Nada de música. Nada de fetiche. O espaço nu virou tatame.
Ele me posicionou no centro e encostou o dedo indicador no meu pulso.
— Respiração primeiro. Se você não ouvir o próprio corpo, nunca vai ouvir o do inimigo.
Fechei os olhos. Ele andou em volta de mim c