Aurora Mancini
O primeiro toque foi com a pluma. Costas, nuca, a linha do ombro. A pele acendeu em mapa. O segundo toque veio com uma palmatória acolchoada.
Som limpo, impacto controlado. Não doeu. Acordou. Três toques. Depois quatro. Ele alternava com a pluma e com a mão aberta, construindo ritmo que entrava e saía do meu corpo.
— Palavra de conforto? — ele perguntou.
— Verde.
O terceiro instrumento foi o bastão de fibra flexível, leve, elástico. Desceu de lado nas coxas. Um ardor morno. O corpo respondeu com um arco involuntário. Era novo para mim. Não por intensidade. Por precisão. Não havia humilhação. Havia música.
— Você não vai contar. — ele avisou — Quem conta sou eu.
As pinças com regulagem tocaram meus mamilos com rotação quase imperceptível. Ele ajustou a pressão e esperou o corpo aceitar. A respiração ficou irregular. A barra separadora me impedia de fechar as pernas. O sangue circulou, quente.
— Luz. — pedi, só para ele reduzir a cadência um pouco.
— Boa menina. — ele su