Aurora Mancini
A sala estava mergulhada em um silêncio pesado. Apenas o som abafado da cidade, distante, atravessava os vidros da cobertura. Aleksei estava parado à minha frente, imóvel como uma estátua que guardava segredos antigos demais para caber em palavras. Seus olhos, sempre tão insondáveis, evitavam os meus. Eu cruzei os braços, firme, mas por dentro o coração batia como um tambor.
— O que mais você esconde de mim? — perguntei, sem rodeios — Quero a verdade, Aleksei. Não pedaços, não me