Aurora Mancini
O problema de se enganar é que, cedo ou tarde, a mentira começa a parecer pesada demais para carregar. Eu passei três dias repetindo para mim mesma que o que aconteceu com Aleksei no quarto de dominação não passava de um acidente de percurso, um delírio alcoólico somado ao excesso de tensão. Era mais fácil acreditar que a bebida tinha conduzido minhas ordens do que aceitar que eu quis, quis de verdade, tê-lo submisso aos meus pés.
Mas as lembranças não obedecem à lógica. Elas se infiltram onde não deveriam.
Na sala de reuniões, enquanto diretores falavam sobre estratégias de mercado e expansão para o próximo trimestre, eu me pegava olhando para o espaço vazio entre os gráficos como se fosse a curva dos ombros dele. A palavra “expansão” soava como o corpo dele se abrindo sob meu comando. Quando alguém tossia, era o eco dos gemidos dele que meu cérebro insistia em ouvir.
Ridículo. Eu, Aurora Mancini, Ceo de uma das maiores grifes de lingerie da Europa, refém de lembranças