Aleksei Vasiliev
No subterrâneo, a música bateu como um coração que não me pertence. Eu já conhecia cada sombra da masmorra, cada reflexo de luz nas correntes cromadas, cada respiração furtiva que se confessa quando acha que ninguém está ouvindo. Ainda assim, tive de escolher um ponto mais escuro do que todos. Ela estava chegando.
Aurora desceu a escada com a liturgia que o lugar exige. Couro que molda, salto que dita regra, boca rubra que encerra dúvidas.
O salão repousou um fio de segundo para recebê-la. Eu não fui o único a mudar a postura. Homens aprenderam com o corpo o que a cabeça reluta em admitir. Diante dela, o mundo procura ordem.
O sub da noite já a esperava no ponto combinado. Ajoelhado, cabeça baixa, mãos abertas nas coxas. A respiração dele era um cavalo sem freio. Ela parou diante dele. Ajustou a coluna com dois dedos. Testou o peso nos joelhos.
Perguntou a palavra de segurança como quem pede um documento de viagem. Ele respondeu. Ela colocou a coleira. A guia correu