Aleksei Vasiliev
O aroma do café subiu como uma oração escura. O cheiro encheu a cozinha e se derramou pela sala, atravessando os corredores. Preparei a bandeja com a meticulosidade de um artesão. Quando bati à porta do quarto, ela respondeu um “entre” que soou menos como ordem e mais como licença.
Ao entrar, vi-a sentada na beirada da cama, já sem a camisa branca. Tinha trocado por outra, azul, ainda aberta. A pele morena brilhava de leve, banho rápido, e o cabelo solto caía em ondas calmas. Não era a Ceo com a armadura inteira. Era Aurora, a mulher, com a respiração ainda próxima do sono. A visão me feriu e me curou ao mesmo tempo.
— Deixe aí. — Ela apontou para a mesa lateral — Obrigada.
— Sempre.
Servi sem mais. O silêncio entre nós não era constrangido, era útil. Ela bebeu um gole e mordeu o pão, olhos em mim por cima da borda da xícara.
— Você sabe que pode… — Aurora procurou a palavra, como quem experimenta uma generosidade que não usa com frequência — …relaxar, às vezes.
— Re