Aleksei Vasiliev
A porta de metal cedeu com o ruído macio de uma garganta velha. Desci os degraus de pedra e deixei que a música grave me orientasse como um farol. A masmorra vivia debaixo da cidade como um coração escondido, vozes contidas, o estalo seco do ar cortado por coisas que não são dor, são precisão.
Eu escolhi um ponto alto na sombra, de onde via sem ser visto. Quando ela entrou, a casa respirou profano. Não foi aplauso. Foi ajuste. As pessoas se alinharam ao ritmo de Aurora como cardumes que encontram a corrente certa.
Vestia preto como uma soberana. O cabelo preso deixava a nuca exposta de um jeito que me matou em quatro épocas diferentes. O rubro da boca era um decreto aos fracos.
Ela avaliou o salão com dois movimentos de cabeça e fez um gesto curto. Um homem que esperava de joelhos arrastou-se até a guia. A respiração dele era clara de se ler: quem não tem norte, treme.
— Palavra? — ouvi de longe, sem que mais ninguém percebesse que eu ouvia.
Ele disse a palavra que nã