Aleksei Vasiliev
O apartamento reconheceu sua dona com o cheiro. Luz baixa, ordem. Ela largou a bolsa no sofá, virou-se para mim, abriu a boca com alguma frase ferina, e fechou sem dizer. Em vez disso, caminhou lenta até a porta da suíte.
Olhou por cima do ombro, olhos escuros de álcool e lucidez.
— Se entrar, não me corrija. — disse — Eu comando. E você aguenta.
— Eu aguento.
— Safeword… — ela respirou, procurando a palavra certa — Vale o mesmo?
— Vale.
Ela virou a maçaneta. Eu deixei a eternidade do lado de fora.
A suíte não precisava de luz forte, tinha memória. O couro, os metais, os nós, cada coisa em seu lugar, não por fetiche, mas por respeito ao ritual. Aurora caminhou até a mesa lateral e tirou as luvas devagar, como quem afia o próprio pulso.
Colocou a caixa de acessórios sobre o tampo, abriu-a, passeou os dedos sobre as peças sem escolher de imediato. Eu permaneci em pé, onde ela me deixou.
— Tira o casaco. — disse — E fica onde está.
Obedeci. Ela não comentou. Derreteu o