O silêncio após aquela última frase do capítulo anterior não se dissipou — apenas se tornou mais pesado, mais denso, como se o ar tivesse decidido escutar antes que alguém ousasse falar.
Dante foi o primeiro a se mover.
Não com urgência — mas com aquele controle calculado que Isabella conhecia melhor do que queria admitir. Ele caminhou até a caixa onde ela guardava os documentos e apoiou as mãos nas bordas, como se estivesse segurando um abismo.
— Então é isso — ele murmurou, sem olhar para ela ainda. — Você volta… com isso?
Isabella manteve a postura. Não demonstraria tremor. Não agora.
— Eu não voltei por nostalgia — respondeu. — Eu voltei porque alguém precisava saber a verdade. E você é a única pessoa que pode fazer algo com ela.
Luca, até então quieto, ajustou os óculos e começou a examinar as folhas com meticulosidade quase cirúrgica.
— Os selos são legítimos — ele confirmou. — A assinatura digital bate com registros internos. Isso não é rumor, Isabella. Isso é confissão.
Dante