A manhã chegou sem pedir permissão — silenciosa, mas inevitável.
Isabella acordou devagar, ainda sentindo o calor da noite anterior na memória, não no corpo. Dante não estava ao seu lado, mas o travesseiro ainda guardava seu perfume. Aquilo sozinho já era suficiente para acelerar sua respiração.
Ela sentou-se lentamente na cama, passou a mão pelos cabelos e encarou o quarto amplo, elegante, organizado demais para refletir o caos interno que ela carregava.
Por alguns segundos, considerou fechar os olhos e fingir que nada havia mudado.
Mas tudo havia mudado.
Levantou-se, calçou os chinelos e caminhou até a sala. Encontrou Dante ali — sentado à mesa, camisa branca levemente dobrada nos antebraços, xícara de café à frente e olhar perdido na vista ampla da cidade.
Ele percebeu a presença dela antes mesmo de ela dizer algo.
— Bom dia — ele disse, sem se virar completamente, mas com uma suavidade que não existia nele alguns meses atrás.
— Bom dia.
Isabella sentou-se à frente dele. O