O silêncio no carro era quase palpável enquanto Dante dirigia. A cidade passava pelas janelas como um borrão de luzes e movimento, mas dentro do veículo tudo parecia suspenso, preso em uma bolha de tensão. Isabella mantinha os braços cruzados sobre o peito, como se precisasse conter tudo o que sentia — medo, raiva, confusão… e amor.
Dante lançava olhares rápidos para ela, como alguém que tenta medir uma explosão iminente.
— Você precisa confiar em mim — disse ele, sem tirar os olhos da estrada, mas a frase soou mais como um apelo do que uma ordem.
Isabella respirou fundo.
— Eu confiei. E por isso estou aqui. Mas… preciso entender tudo antes de decidir se devo continuar confiando.
Ele apertou o volante. A luz vermelha do semáforo iluminou parte do rosto dele — o suficiente para Isabella notar que, pela primeira vez, Dante parecia com medo.
Medo de perdê-la.
— Hoje — ele começou — você vai ver coisas que não deveria ver. Vai ouvir verdades que não vão ser fáceis de aceitar. Mas e