Mundo de ficçãoIniciar sessãoLiah sempre soube que sua vida como ômega seria marcada pela dor, mas jamais imaginou ser reclamada pelo Alfa Cruel, Magnus. Temido por todos, ele governa com brutalidade e sombras, esmagando inimigos sem hesitar. Quando a marca dele queima em sua pele, Liah é arrastada para um mundo de guerras políticas, alianças sangrentas e desejos proibidos. Prisioneira no castelo sombrio, ela luta para sobreviver aos toques que queimam e ao olhar que a despedaça. Mas há algo mais profundo entre eles – um laço que nenhum dos dois entende ou aceita. Enquanto Magnus precisa se casar com a filha de outro Alfa para manter a paz dos clãs, um segredo cresce dentro de Liah, ameaçando derrubar reinos inteiros. Seu filho carrega a promessa de cura… ou destruição. Em um mundo onde o amor é guerra e o poder governa acima de tudo, Liah descobrirá que mesmo o lobo mais cruel guarda um coração capaz de ruir. Mas o preço por amar o Alfa Cruel pode ser sua alma.
Ler maisPOV Liah A noite caiu como um véu de seda tingido em sangue. A Primeira Lua Sangrenta pairava acima das torres como um olho ancestral — e meu ventre pulsava como se reconhecesse sua maldição. Três meses. Três luas desde que deixei meu corpo descansar nos braços de Rhaziel. Desde que deixei minha alma ruir em silêncio. Desde que me descobri… grávida. De quem? Não sei. Ou talvez saiba, mas não queira aceitar. Meus filhos, Rael e Aelyra, sabem. Eles foram os primeiros a perceber. Os primeiros a cuidar. A proteger. E por isso… decidi que a cerimônia desta noite seria por eles. Por nós. Pelo sangue que vive, mesmo entre os destroços do que um dia fui. O salão estava vazio quando cheguei. Vesti a túnica negra dos antigos rituais lunares. Sem coroa. Sem pedras. Apenas a loba. Minha barriga ainda não denunciava o segredo, mas já pesava em cada gesto. E em cada silêncio. Os guardas recuaram. Os anciãos se calaram. Aelyra entrou primeiro. Vestida de branco, os
POV Rhaziel O castelo parecia mais frio desde aquela noite. Não era um frio de inverno. Era ausência. Ausência dela. Liah não falava comigo. Não me tocava. Não me olhava da mesma forma. Desde o dia seguinte ao ataque de Magnus, ela havia se recolhido por completo, como se uma parte dela tivesse morrido ali. E eu… eu assistia em silêncio. Ela me deixou entrar no seu corpo, no seu coração por uma noite. E agora? Agora ela estava a um mundo de distância. Nos corredores, passávamos por ela como súditos. Não como o pai dos filhos que ela criou ao meu lado. Nem como o homem que a amou com reverência e desejo. Ela andava como uma sombra de seda, com os olhos distantes e os lábios sempre trancados. Mas eu a observava. Sempre. Cada movimento. Cada gesto involuntário. E foi num desses gestos que percebi. Ela tocava a barriga. Às vezes sem perceber. Um toque leve. Quase instintivo. Como se estivesse sentindo algo. Protegendo algo. Uma vez, vi Aelyra segurando sua mão
POV Liah A lua estava alta quando ouvi o sussurro. Não veio de fora, nem dos corredores onde meus inimigos e antigos amantes caminhavam como sombras condenadas. Veio de dentro. Um sussurro que pulsava no ventre, como uma canção antiga tentando ser ouvida. Minhas mãos tremiam enquanto eu afastava as mantas da cama. Meus pés descalços encontraram o frio do chão como se pedissem firmeza. Respirei fundo. Há semanas o enjoo vinha e ia, mas naquela madrugada… algo era diferente. Eu sabia. Meu corpo, minha essência, minha magia… sabiam. Eu estava grávida. O gosto metálico da revelação subiu pela garganta e me encheu de pânico e ternura ao mesmo tempo. Meu ventre, que um dia sangrou em silêncio sob o domínio de Magnus… agora se enchia de vida. E não era dele. Era de Rhaziel. Senti os olhos arderem, e pela primeira vez em muitos dias, chorei em silêncio. Não de dor. Mas de medo de amar de novo. De carregar mais uma vida num mundo onde eu era metade rainha e metade maldi
POV RhazielTrês meses.Três malditos meses sem tocá-la. Sem ouvir sua risada, seu sarcasmo, nem mesmo um insulto.Liah caminhava pelos corredores como uma deusa ferida — bela, mas inalcançável. E o pior? Era como se ela apagasse nossa história com o mesmo silêncio que um lobo usa para morrer em paz.Ela não me olhava mais.Dormíamos no mesmo castelo. Eu ficava com as crianças, sim — principalmente com Rael, que me chamava de pai com naturalidade. Aelyra, por outro lado, era mais sensível. Sentia tudo, via além. Sabia que algo em mim estava quebrado.Eu era o guerreiro que perdeu a guerra mais importante: a de permanecer no coração da mulher que jurei amar até o fim dos tempos.Ela era um campo de batalha silencioso, e todo dia eu sangrava um pouco mais.Aelyra me olhava como quem compreendia o que nem eu tinha coragem de dizer. Que meu maior medo não era Magnus. Era a ideia de que, talvez, Liah nunca tivesse me pertencido por completo. Que eu tivesse sido um refúgio, um bálsamo, um s
POV Magnus O sangue ainda pulsava em meus ouvidos. Eu o teria matado. Teria enterrado meus dentes na garganta daquele bastardo e dançado sobre os ossos dele. Mas… ele não rugiu de volta. Ele não revidou com selvageria. Ele se defendeu. E ela… Ela me olhou como se eu já não fizesse parte do mundo dela. As palavras de Rael me rasgaram mais do que qualquer lâmina: "Se vocês se matarem, a guerra já venceu." Meu filho. Meu sangue. Protegendo o inimigo. Eu caí de joelhos não por cansaço. Mas porque, pela primeira vez, percebi: eu havia perdido. E não era Liah que eu tinha perdido. Era tudo o que restava de mim. A criança que ela carregou dentro de si, a filha da lua que nasceu com olhos que veem além do tempo, a mulher que uma vez gritou sob meu corpo — tudo isso agora me olhava como se eu fosse só mais uma ameaça. Eu queria dizer que fiz tudo por amor. Queria dizer que lutei por ela. Mas o que seria da verdade, se meus atos gritam mais alto? Leva
POV Rhaziel O sol mal havia rompido no céu, e já era tarde demais. Porque algo em mim… havia mudado. Liah dormia ao meu lado, o corpo nu coberto apenas pelo lençol branco. Mas nada nela era frágil agora. Mesmo adormecida, ela parecia uma deusa caída, com os cabelos espalhados como raízes negras sobre meu peito. Sua respiração era calma. E pela primeira vez, seus olhos — antes armados, desconfiados, destruídos — haviam se fechado com paz. Toquei de leve seus dedos entrelaçados aos meus. A pele dela ainda carregava meu cheiro. E, por alguma ironia dos deuses, isso me aterrorizava mais do que qualquer guerra. Porque eu sabia… Quando ela acordasse, quando o sangue de Magnus tocasse o ar, nada disso importaria mais. A noite foi dela. Mas o dia… pertenceria ao caos. Tentei sair da cama, vestir minha camisa. Tentei fugir. Mas meus pés não obedeceram. Eu não podia deixá-la. Em vez disso, caminhei até a janela. O céu estava pálido, emoldurado por nuvens pesada
Último capítulo