O Eclipse Dentro de NĂłs
Quando finalmente consigo respirar sem sentir que o ar estĂĄ cortando meus pulmĂ”es, percebo algo que deveria ter sido Ăłbvio: o silĂȘncio ao nosso redor nĂŁo Ă© normal. NĂŁo Ă© apenas ausĂȘncia de som â Ă© uma suspensĂŁo de realidade. Como se todo o espaço estivesse contendo o prĂłprio fĂŽlego, esperando para ver o que eu me tornaria.
O peso de Arctys dentro de mim ainda pulsa. Um ritmo firme, profundo, que marca o meu peito como se fosse um segundo coração. Não dói. Não mais. Agora lateja como poder, como pertencimento. Como se eu tivesse finalmente recebido uma parte de mim que foi arrancada à força hå muito tempo.
Meus sentidos estĂŁo diferentes. Mais afiados. As sombras parecem mais vivas. A respiração de Rafael â lenta, pesada, controlada â soa como ondas batendo contra um rochedo. Sinto o cheiro dele em camadas: a pele quente, o ferro do prĂłprio sangue, o toque distantes das ĂĄrvores lĂĄ fora, misturado ao feromĂŽnio denso de Zahor.
E ele estĂĄ perto.
Perto demais.
O corp