Entre o Sangue e o Vínculo
A primeira coisa que sinto é o gosto metálico na língua. Não é meu sangue — é dele. De Rafael. Do Supremo. De Zahor. É como se a essência dele, quente, densa, ancestral, tivesse entrado em mim não apenas pela boca, mas por todas as partes do meu corpo. Sinto-a pulsar nos meus pulsos, espalhar-se pelo peito, subir pela garganta e descer pelo ventre, como um trovão que encontra mil caminhos possíveis até finalmente se decidir por todos eles ao mesmo tempo.
Meu corpo treme. Não é medo. Não é dor. É transformação.
A sala está silenciosa, exceto pelo som da respiração de Rafael — pesada, profunda, quase selvagem. Ele ainda segura meus braços, mas agora seu toque não prende: ancora. Ele me mantém no mundo enquanto as forças dentro de mim tentam me puxar para longe, como se eu estivesse em duas realidades ao mesmo tempo.
— Alice... — ele murmura, a voz rouca, perigosa, quebrada de desejo e preocupação. — Não lute. Deixe acontecer. Você precisa deixar... ou vai doer