O Chamado Que NĂŁo Pode Ser Ignorado
A madrugada avançava lenta, espessa, como se o tempo tivesse aprendido a caminhar com cuidado dentro da mansĂŁo. Nada ali dormia. Nem as paredes antigas, nem os espĂritos que agora pairavam como sombras pacientes, nem nĂłs trĂȘs â presos em um instante que se alongava alĂ©m do aceitĂĄvel.
O toque de Marco ainda queimava em minha mão esquerda. O de Rafael, firme e quente, mantinha-se na direita. Entre eles, eu sentia o fluxo de algo primitivo, ancestral, tão intenso que minha respiração não conseguia acompanhar.
Lyra estava desperta como nunca. NĂŁo inquieta â alerta.
â Eles estĂŁo se aproximando â ela sussurrou dentro de mim, com uma clareza que me fez estremecer.
âQuem?â, pensei.
Mas antes que ela respondesse, o ar da mansĂŁo mudou.
O silĂȘncio, antes denso, se quebrou com um sutil ranger â nĂŁo de portas, mas do prĂłprio espaço. Como se algo estivesse sendo rasgado entre mundos.
Rafael foi o primeiro a soltar minha mĂŁo.
â Chegou mais cedo do que eu esperava