A madrugada se estendia como uma linha torta no horizonte de São Paulo. O prédio estava em silêncio, mas o escritório ainda tinha as luzes acesas. Apolo não conseguia ir embora.
Os papéis continuavam espalhados sobre a mesa, as palavras do manuscrito abertas como feridas que não cicatrizavam. Ele passava os olhos pelas frases, mas não lia — apenas revivia cada uma. As cenas pareciam pulsar com a voz dela. Cada linha era um fragmento do que ele destruiu.
O celular vibrou.
Um som comum, banal. Ma