MEU CAPITÃO COREANO - UM DORAMA EM ALTO MAR

MEU CAPITÃO COREANO - UM DORAMA EM ALTO MARPT

Romance
Última atualização: 2025-08-29
Barbara Garrett  Atualizado agora
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Índice

Um capitão de cruzeiro coreano, uma mocinha atrapalhada e traída quando faltava apenas uma semana para o casamento. Márcia viaja sozinha para aproveitar o cruzeiro de sua lua de mel que nunca aconteceu, após ser traída pelo noivo com quem estava há 10 anos. Mal sabe ela que o capitão do navio, Park, um coreano com um passado obscuro, a conquistaria de um jeito tão avassalador.

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Capítulo 1

CAPÍTULO 1

Ufa! Finalmente anunciaram o meu navio! Já estou com a bunda dolorida de tanto tempo aqui sentada.

Cruzo apressada o saguão de embarque arrastando minha mala enorme e desajeitada. Fico em uma fila com crianças gritando, famílias e casais alegres por mais alguns minutos e enfim, sigo toda rebolativa para o guichê em que uma mocinha sardenta, sorridente e uniformizada me cumprimenta. Ela confere minuciosamente o meu bilhete e a minha identidade. Aquele “cara/crachá” de sempre.

― Tenha uma excelente viagem, senhora Márcia!

Sorrio de volta e pisco para ela com todo o meu charme.

Eu consigo esconder meus sentimentos muito bem. Parabéns, Márcia!

Passo pelo raio-x, sempre cumprimentando e distribuindo sorrisos e simpatia para os funcionários e ao sair do prédio principal do Porto de Santos, dou de cara com o navio em que passarei minha “quase” Lua de Mel. Quase, pois descobri que o verme do meu noivo, ou melhor, do meu ex-noivo estava me traindo com uma periguete, faltando só uma semana para o nosso casamento.

Minha mãe passou mal, meu pai ficou do meu lado, minha melhor amiga vibrou de alegria, pois detestava o traste e eu… bem, a minha ficha ainda não caiu direito.

Mas se tem uma coisa que eu não farei nunca, jamais, é sofrer e chorar por causa de homem.

E já que a vida me deu esse limão azedo, farei uma bela de uma Margarita!

Então eu vou curtir, vou conhecer gente, vou torrar o pacote de bebidas meu e dele e me dar uma nova chance, afinal, em um cruzeiro em pleno verão brasileiro, o que se espera é encontrar gente bonita e disponível no navio, não é? Assim espero…

Arrasto minha pesada mala cor-de-rosa repleta de chaveiros de anime e outros penduricalhos barulhentos até as escadas que ligam o porto ao interior do navio e quando tento levantá-la do chão para subir, percebo que está tão pesada que me desequilibro e caio para trás. É lógico que isso iria acontecer. Eu com meus saltos enormes! Não poderia esperar outra coisa.

Pronto, penso. Lá vou eu pagar aquele mico gigantesco como de praxe. A minha queda é ridícula! Perna para um lado, braço para o outro e mala no chão. Fecho os olhos já esperando minha bunda se estatelar com a queda no asfalto.

Mas não, do nada sou amparada por um braço forte que me pega por trás, segurando com firmeza a minha cintura.

— Caramba! Como sou desastrada! — digo rindo para disfarçar o vexame.

Quando me viro para agradecer meu benfeitor, eu o vejo.

Um oriental com uns dois metros de altura e o rosto mais lindo que eu já vi, trajando um uniforme branco impecável. Ele é sisudo e tem um ar compenetrado por trás dos óculos que combinam com seu rosto de traços fortes.

Meu Pai do Céu, será que eu estou em um dorama?

Fico sem ação contemplando este rosto que parece talhado em mármore, quando ele franze as sobrancelhas ao me encarar, me solta como se estivesse colocando uma peça delicada em uma prateleira, pega minha mala e se encaminha para o interior do navio me deixando para trás com cara de boba.

— Ei! Aonde você vai com a minha mala?

Dou uma corridinha desengonçada atrás dele. O sol ainda está forte e ofusca meus olhos. Tomo cuidado para não cair de novo. Meus saltos estalam ruidosamente: plec, plec, plec. Eu sabia que não devia ter vindo de salto, mas dane-se, agora já era. Ele coloca minha mala no chão, ajeita os óculos sobre o rosto e se inclina para a frente ligeiramente, me cumprimentando. Sua feição é séria, quase emburrada. Ao se erguer, vira-se para um recepcionista que está logo à entrada do navio e diz algo em outro idioma. É coreano? Acho que sim, afinal, são anos maratonando os mais variados doramas. Sou quase uma expert.

Ele sai rapidamente por um corredor à direita. O recepcionista vem até mim com um sorriso tímido e simpático e pega minha mala.

— A senhorita me acompanhe, por favor. Vou levá-la à sua cabine.

Arregalo os olhos sem graça abanando as mãos em negativa.

— Não, moço! Não precisa! Aquele rapaz já trouxe minha mala aqui para dentro, é o suficiente. Ela tem rodinhas, olha, agora eu consigo levá-la para o meu quarto. — Gesticulo exasperada mostrando as funcionalidades da minha mala gigantesca.

Ele meio sem jeito se aproxima de mim quase cochichando:

— O capitão Park mandou levar a sua mala até a sua cabine. Eu cumpro ordens, senhorita. Queira me acompanhar por favor.

Olho para trás na tentativa de ver para onde o oriental, o tal do capitão Park tinha entrado, mas ele não está mais ao alcance dos meus olhos.

O rapazinho sai em disparada e eu o sigo ligeira logo atrás.

— Você chamou aquele rapaz de capitão Park. Ele trabalha aqui?

O tripulante sacode a cabeça. Ele tem um leve sotaque nordestino.

— Sim, senhora. Ele é o capitão do navio.

— Ah, tá. — Respondi sem saber direito o que dizer.

— E pelo jeito dele, a senhora deve ser bem importante. — Ele piscou para mim. — Não é para qualquer pessoa que o capitão dá ordens de levarmos a bagagem até a cabine, ou para darmos tratamento vip como ele mandou para a senhora.

Oi?

— Como é que é? Tá falando sério?

O rapaz só balança a cabeça.

Ele chama o elevador e param duas senhoras atrás da gente.

— Filhinho, o elevador está subindo?

As mulheres me olham de cima a baixo, curiosas. São duas senhoras de seus 60 e poucos anos. Elas fazem aquele estilo meio peruas, meio chiques. Extremamente maquiadas e com roupas coloridas e leves, naquele estilo inconfundível de turistas.

— Sim, senhora. Estamos indo para o oitavo andar. Para qual andar as senhoras irão?

A de cabelo bem curtinho sacode a mãozinha fina repleta de anéis na cara do rapaz.

— É para lá mesmo que iremos! Olha, que sorte, Marta! Vamos, cuidado para não tropeçar, hein? A gente não tem mais idade para quebrar osso que é difícil de cicatrizar.

As duas se apressam e entram no elevador quando percebem que cedo passagem para elas.

— E o que essa moça linda e loira está fazendo aqui sozinha?

A outra senhora de cabelo cor-de-rosa, isso mesmo, cor-de-rosa, dá uma cotovelada de leve na amiga.

— Tá doida, Bete? Isso é pergunta que se faça?

E se volta para mim com um sorriso amarelo, afofando os cachinhos que a deixam com um ar de poodle de madame.

— Você desculpe a minha amiga, por favor, sabe como é a idade, não é mesmo? A pessoa fica sem filtro.

Eu gosto de cara das duas amigas e respondo com um sorriso divertido.

— Estou aqui para curar uma dor de cotovelo daquelas e tenho a sensação de que vou conseguir.

Elas se entreolham por alguns segundos. Pronto, criei um climão. Eu e minha boca de caçapa. Mas não, as mulheres caem na gargalhada fazendo barulho no elevador.

— Essa é das minhas! A fila anda, meu amor! E qual é o seu nomezinho mesmo?

— Eu sou a Márcia e vocês são Bete e Marta, não é?

Digo apontando para as donas dos nomes respectivamente.

— Que memória boa, menina! Queria ter uma memória assim.

Sorrio novamente para elas, e baixo os olhos, conferindo minhas sandálias, mas agora em silêncio. Falando em memória, penso no tal capitão que me socorreu a pouco. Ele tem algo familiar, me lembra alguém. É uma sensação passageira, um déjà-vu. Devo estar assistindo doramas demais.

— Oitavo andar, senhorita.

O recepcionista sai ligeiro do elevador e eu tento acompanhá-lo dando uma corridinha enquanto me equilibro sobre meus saltos.

Ele estanca diante de uma porta após percorrer um longo e frio corredor acarpetado e de virar à direita e à esquerda algumas vezes.

— Chegamos, senhorita. Espero que a senhora tenha uma experiência incrível em nosso navio.

Ele acena com a cabeça e sai andando apressado.

— Obrigada! — Grito.

Aproximo o cruise card do leitor da porta que magicamente se abre. Antes que eu possa entrar, as senhorinhas se aproximam rapidamente de mim, bufando.

— Nossa, você é acelerada, hein? Olha só, Marta! Somos vizinhas da Márcia!

— Bete, deixa de ser inconveniente. A moça está até incomodada.

— Não, imagina! Estou feliz em conhecer vocês. É bom ter companhia, assim, não me sentirei sozinha aqui no navio.

Marta olha para mim apertando os olhinhos de cobrinha.

— Pobrezinha. Se é assim, pode contar conosco, que solidão você não vai passar, não é Bete? — a amiga acena afirmativamente com a cabeça balançando os brincos coloridos e volumosos.

— Muito obrigada pelo acolhimento.

Sorrio para as duas e entro em minha cabine.

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