CAPÍTULO 4

— Uau! Que espetáculo!

Marta e Bete exclamam quando me veem após praticamente esmurrarem a porta da minha cabine. Estou linda mesmo! Coloquei um vestido midi laranja e sandálias de salto douradas. O vestido deixa meus ombros à mostra e é fresco e confortável. Deixo meus cachos soltos e meio bagunçados fazendo bem a linha praiana.

Eu gosto das duas amigas. São boas companhias e por serem bem mais velhas do que eu, me tratam como uma filha ou uma sobrinha. São do tipo de pessoa que gosta de mimar os mais jovens.

— Vamos, vamos que o jantar já vai começar. A porta do Blue Dolphin já deve estar aberta e com uma fila enorme do lado de fora. — Avisa Bete.

— E é bom que a gente consiga pegar uma mesa perto da banda, né? Adoro dançar! — Dou uma rebolada para enfatizar minhas palavras.

Bete e Marta se entreolham.

— Não te dissemos, como pude esquecer! — Marta dá um tapinha na própria testa.

— O quê? — Pergunto assustada. — Qual a pegadinha agora?

Bete agarra meu braço rindo enquanto entramos no elevador.

— É que os lugares são sorteados na hora em que entregamos nosso cruise card. Isso é feito de propósito para favorecer a interação entre os passageiros. Não é o máximo?

Eu só balanço a minha cabeça. Sim, é o máximo. Então, eu posso sentar perto das minhas novas amigas, ou posso me sentar ao lado de um taradão, ou de uma família repleta de crianças pirracentas.

— Olha, não sei se gostei disso não. — Resmungo quando saímos do elevador.

— Ah, deixa disso, queridinha! Nós estamos aqui e temos que desfrutar. Vamos aproveitar e trocar nossos números de celular para nos comunicarmos a qualquer momento. Aí, se você estiver em alguma situação complicada, é só chamar a gente. Que tal?

Fico mais tranquila com a solução dada por Bete.

Como elas tinham previsto, a fila está longa mesmo. Ela dobra da porta do restaurante até aqui fora, no deck principal. Percebo que nem todos vão ao jantar. Algumas pessoas preferem ficar do lado de fora tomando um drink no saguão, mas a maioria está nesta fila gigantesca para o jantar com o capitão.

O tempo passa tão rápido enquanto converso com as meninas que quando me dou conta já estou apresentando meu cruise card para o recepcionista.

Ele passa meu cartão no computador, olha com atenção para a informação que aparece diante dele e abre um sorriso gigantesco para mim.

— Parabéns, senhorita Márcia! A senhora tem seu lugar marcado à mesa do capitão. Seu assento está ao lado dele, à direita.

Sinto minhas pernas falharem. Meu coração dispara. Mano do Céu. Eu vou ter um piripaque.

— Olha que sortuda essa moça, hein?

Uma belíssima oriental passa por mim. Ela me analisa de cima a baixo e para ao lado do recepcionista.

— Venha comigo, levarei a senhora ao seu lugar.

Agradeço com um sorriso e sigo logo atrás dela. Ao longe ouço as amigas torcendo por mim.

— Se deu bem, Márcia! Depois conta tudo pra gente!

A torcida delas me deixa mais leve. Elas têm uma energia boa e preciso me contagiar por ela. Falando nisso, me lembro de que não tomei meu medicamento para ansiedade. Esse seria o momento ideal para usá-lo. É óbvio que estou apavorada e ansiosa, no entanto, sinto também que é um momento especial na minha vida e não usá-lo será um teste e tanto.

A moça para diante de uma enorme mesa oval em que há um grupo de pessoas diversas tagarelando animadamente. Alguns tripulantes uniformizados e outros com roupas normais, como eu. Devem ter sido sorteados também. Fico aliviada por ter “gente normal” por aqui.

— Que falta de educação a minha — a moça se dirige a mim — Eu sou a Kim Na-Ri, assistente pessoal do capitão Park. Ele está a caminho. Sinta-se à vontade.

Diz e aponta a cadeira para mim.

— Muito obrigada. — Respondo.

Quando eu pego a pesada cadeira para me sentar, do nada surge uma mão enorme que puxa a cadeira para mim. Quando olho para o lado, vejo ele, o capitão Park, mais lindo do que antes, usando um uniforme de manga longa azul marinho.

— Senhorita, por gentileza.

Mesmo surpresa, disfarço e agradeço com um sorriso. Em seguida, ele retira a cadeira ao lado da minha e se senta também.

Tão logo o capitão se acomoda, um tripulante que está diante de nós, um senhor de meia idade, barbudo e com cara de marujo, se levanta e fala alto com sotaque francês:

— Que se inicie o jantar com o capitão!

Todos aplaudem empolgados e eu não fico para trás, aplaudo e busco os olhos do capitão Park. E ele olha para mim enquanto aplaude e sorri com os dentes mais brancos e perfeitos que eu já vi.

— Você tem algum defeito? — Solto de repente cobrindo imediatamente a boca com as mãos. — Nossa, como sou linguaruda.

O capitão Park sorri e me olha de lado.

— Desastrada e linguaruda. Nunca conheci alguém assim. Márcia é seu nome, não é mesmo?

Arregalo meus olhos e abro a boca.

— Como você sabe?

— Eu preciso saber quem senta à minha mesa, senhorita. Vinho? — Ele pergunta quando passa o garçom com uma garrafa de vinho tinto ao seu lado.

— Sim, por favor.

Caramba, que idiota que eu sou. É claro que ele sabe com quem ele se senta. Burra. Ele deve conhecer cada um de seus passageiros. Agora, pensando bem, será que ele sabe que estou aqui para a minha suposta Lua de Mel? Cara, ele vai me achar uma canalha. Terminou com o noivo e veio se divertir. Ah, deixa pra lá.

Faço um gesto como se estivesse abanando os pensamentos da minha mente e isso chama a atenção dele que observava a movimentação no restaurante.

— Tudo bem?

— Sim, claro.

Olho para ele e solto a bomba.

— Você é coreano? Seu nome é coreano. Mas você fala português tão bem.

Ele dá um sorriso largo e espontâneo, que contrasta com a seriedade que vinha mantendo até então.

— Como a senhorita pode ver, eu viajo bastante. E a convivência com pessoas de diversas nacionalidades me fez aprender várias línguas.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP