Mundo de ficçãoIniciar sessãoAyla não queria mais viver. Enquanto assistia ao vídeo que o próprio namorado, Matt, tinha postado, tudo desabou de uma vez: o emprego perdido naquela manhã, a traição escancarada na tela, a dignidade que ainda lhe restava. Ayla subiu no parapeito da ponte, decidida a pular no rio. Mas mãos fortes agarram sua cintura, a impedindo de dar o passo para o abismo. Ele rosnou rouco: — Só covardes escolhem o caminho mais fácil! Seus olhos se alinharam com os dele, Blake, o Alfa Supremo temido. — Você é jovem. Tola. Não devia tomar atitudes precipitadas. A Deusa... — A Deusa? — Ayla retrucou, indignada. — Até os Deuses cometem erros! A resposta o enfureceu. E, no segundo seguinte, ele pulou no rio com ela nos braços. — Você é Louco? Ela era um erro. Um vínculo impossível. Uma companheira que jamais deveria ter sido escolhida. Mas o lobo dentro dele já tinha decidido: não a soltaria, não a deixaria ir, não a apagaria, ela era a humana que lhe pertencia agora!
Ler maisPOV: AYLA
Três anos. Três anos da minha vida jogados fora por causa dele.
Corri sem parar até meus pulmões queimarem. O ar gelado da noite entrava rasgando a garganta a cada respiração. Parei ofegante contra a grade enferrujada da velha ponte, as mãos tremendo tanto que quase deixei o celular cair.
As lágrimas borravam a tela. Mesmo sabendo que ia doer mais, deslizei o polegar e dei play.
As vozes encheram a noite novamente:
— Parabéns para você... Faça um pedido, meu amor!
A voz alegre de Matt me deu nojo.
Ele sorria para a loira sentada em seu colo, a mão dele apertando sua cintura com intimidade, beijando o pescoço dela como se fosse a coisa mais natural do mundo. Sem culpa. Sem vergonha.
Como se eu não existisse.
Enquanto eu via o vídeo que Matt mesmo tinha postado, tudo desabou de uma vez: o emprego que eu tinha perdido de manhã, o namorado que me traía, a dignidade que restava.
Órfã. Traída. Humilhada. Desempregada. Tudo no mesmo dia maldito.
Meus pés me carregaram sozinhos até o único lugar que eu jurei nunca mais voltar.
A ponte.
Odiava cada centímetro daquele lugar. A raiva subia pela garganta e fazia minhas mãos tremerem. Dez anos atrás, exatamente neste dia, no meu oitavo aniversário, o carro da minha família capotou na tempestade. O rio engoliu meu pai, minha mãe e meu irmãozinho. Eu fiquei presa no banco de trás, gritando para Theo de quatro anos, que ia ficar tudo bem, que ele não precisava ter medo.
A água calou todos eles. Menos eu.
Eu sobrevivi. Eles não.
E agora a vida resolvia me lembrar, no mesmo dia do ano, que eu não merecia ter sobrevivido.
— Por quê?! — gritei para a água negra lá embaixo, a voz rouca rasgando a noite. — Por que eu fui a única que sobrou se era para perder tudo de novo?! Eu devia ter morrido com vocês!
Subi no parapeito sem pensar. O vento forte quase me jogou para baixo. As lágrimas escorriam quentes pelo rosto gelado. Chorei até a garganta arder, até o peito doer tanto que parecia que ia rachar.
Eu era o problema. Eu era a maldição. Tudo dava errado por minha causa.
Apenas um passo. Só um. E tudo acabava.
— Me perdoem. — Implorei envergonhada por minha fraqueza.
Fechei os olhos. Dei o passo.
Algo me agarrou no ar, meu corpo foi lançado para trás bruscamente, o impacto bateu na bunda e subiu pela coluna.
— Aí..., mas... o que? — Gemi, abrindo os olhos confusa.
Pisquei, tentando enxergar através da neblina, até a figura diante de mim tomar forma.
Um homem alto, imponente. O corpo largo marcado por cicatrizes antigas e cortes recentes. Uma das mãos pressionava o abdômen, onde uma ferida profunda deixava o sangue escorrer entre seus dedos.
Então, um relâmpago rasgou o céu.
E eu vi seus olhos.
Era incomuns, em tons terrosos, fendas estreitas, dilatados sobre mim. Prendi o ar.
Ele era lindo de um jeito bruto. Perigoso.
— Quem é voc...
Não terminei de falar, quando fui interrompida.
— Você enlouqueceu de vez? — Sua voz saiu grave, acompanhada de um rosnado impaciente e baixo. — Podia ter morrido.
Franzir o cenho, me levantando de súbito, as pernas ainda tremia pela quase queda, o peito ardia, o desespero ainda apertava a garganta, mesmo assim, me aproximei.
— E quem você pensa que é para se meter nisto? — Gritei, erguendo o queixo para alcançar o olhar dele. — O que faz aqui?
Estremeci quando seus olhos semicerraram.
— Aparentemente, salvando sua vida. — Bufou, dando um passo à frente, invadiu meu espaço. Não recuei. — De nada!
— Eu não pedi para ser salva! — Berrei, empurrando seu o peito, sem o mover do lugar. — Não pedi para ninguém me salvar. Nunca pedi por nada disto! Eu só queria que acabasse!
Ficamos em silêncio. Só as respirações pesadas e a chuva. Seus olhos desceram lentamente por meu corpo, parando nos joelhos ralados, suas narinas dilataram, voltando a me encarar.
— São só alguns arranhões, não precisa acabar com tudo por isto. — A voz veio julgadora, com ironia. — Existe dores muito piores do que pequenos cortes e...
— EU SEI! — Explodi, com a respiração carregada, a raiva pulsando no peito. — Você não sabe de nada sobre a minha vida? Não me conhece. Não faz ideia do que suportei, não sabe o que perdi. Não sabe o quanto dói continuar respirando!
Dei um passo à frente, apontando o dedo contra seu peito, seus olhos escureceram parcialmente nas bordas. Ele inclinou a cabeça de lado, testando até onde eu iria.
— Então não seja um intrometido falando como se me conhecesse, você não deveria ter se metido em minha decisão!
Um rosnado ameaçador escapou de sua garganta, ele deu mais um passo à frente, o calor de seu corpo chegou até mim. As gotas de chuva escorria por seu rosto e pingava no meu.
— Tem razão, não conheço. — A voz baixou. Ficou rouca. O rosnado preso no peito. — Mas só covardes escolhem o caminho mais fácil. Você ainda é jovem. Tola. Não deveria tomar atitudes precipitadas. A Deusa…
— A Deusa? — Interrompi. A voz saiu incrédula e quebrada. O nó na garganta apertou tanto que quase não consegui falar. — Onde sua Deusa estava quando eles precisaram dela? Quando imploraram por suas vidas? Quando eu supliquei em gritos e lágrimas para não os tirarem de mim?
Sua expressão endureceu, o maxilar tensionado, irritado.
— Todos estão mortos por causa dela! Eu estou sozinha por causa dela! Eu sofro por causa dela!
Puxei o ar, tentando respirar.
— Então não me fale da sua maldita Deusa!
Suas pupilas dilataram, o ar entre nós mudou, pesado.
— A Deusa jamais pune os inocentes, criatura insolente!
Fiquei na ponta dos pés, enfrentando seu olhar sem piscar.
— Então tenho uma novidade para você. — Cuspir nervosa. — Até os Deuses cometem erros!
Sua respiração se tornou pesada, batendo contra minha pele, ele abriu a boca para contestar, mas uivos romperam ecoaram as nossas costas. Ele desviou lentamente o contato, sobre os meus ombros e praguejou algo baixo.
— Errantes! — Rosnou torcendo o nariz.
— Errantes? — Perguntei franzindo o cenho, virando para olhar.
Sem aviso, seus braços envolveram minha cintura, me puxando contra seu corpo sólido. Minha mão pousou em seu peito quente e firme, sentindo o sangue de sua ferida escorrer entre meus dedos.
— Espera… O que você está fazendo? — Me debati. — Me solta!
Ele olhou para baixo. Um sorriso de canto apareceu no rosto molhado.
— Achei que quisesse pular.
POV: AYLA— Para mim, você sempre foi completa e o suficiente! — declarou ele firme, preenchendo a mão em minha bunda em um aperto possessivo, antes de subir a enorme mão por minhas costas até a base da minha nuca, me prendendo ali rente aos seus lábios.Seus olhos terrosos intensos se alinharam aos meus, com os sentimentos crus e puros, transparentes no reflexo de suas íris, com seu lobo à superfície me encarando.— E passarei o resto da eternidade te mostrando o quanto sou abençoado por te ter como minha companheira, minha Luna, minha esposa, minha rainha!Meu coração pulsou intensamente. Senti as bochechas se aquecerem e ruborizarem. Me movi sobre ele provocante, o fazendo rosnar em aviso e apertar mais minha bunda. Me inclinei, roçando os lábios nos dele.— Sua rainha, é? — provoquei de forma deliberada, fazendo suas pupilas dilatarem predatórias. — Gosto de como isto soa… irá me servir?Ele grunhiu, umedecendo os lábios e tocando a pont
POV: AYLA— Com o seu ronco, acho que a vizinhança inteira deve ter despertado — ri, mas ele continuou sério, os olhos fixos em mim. Segurei sua mão contra a minha face, absorvendo o calor de seu contato. — Ei? Eu estou bem e estou aqui com você.— Você tem ideia do susto que me deu? — confessou ele com uma intensidade tão profunda que me arrepiei. — O medo que senti de você nunca mais acordar?— Eu sei… sinto muito por te assustar — respondi. Ele encostou nossas testas, como se precisasse disso, precisasse sentir meu cheiro, meu calor para se ancorar. — Estou viva.Blake respirou fundo, o peito largo subindo e descendo contra o meu. Seus dedos deslizaram pela minha nuca, me puxando para mais perto.— Que bom, não te perdoaria ou me perdoaria se algo te acontecesse… — Blake suspirou pesado, os ombros perdendo o peso que ele parecia carregar por dias. Então provocou, o tom rouco e malicioso. — Onde mais eu encontraria outra humana híbrida? É uma rar
POV: AYLADesviei no último instante e o toquei.— Liberte-se! — ordenei, sentindo a magia pura e etérea emanar de meus poros, de meus dedos até ele.A criatura caiu ao chão, agora de joelhos em sua forma humana, abaixando a cabeça, tremendo.— Esta maldição não lhe pertence mais. Você está livre!Então ele ergueu a cabeça e me olhou surpreso. Cassian estava ali, nu à minha frente, sorrindo em meio às lágrimas.— Eu sabia… — sussurrou ele, quase sem acreditar. — Eu sabia que você o salvaria, que o libertaria de mim… e…— Sinto muito… — sussurrei de volta, com peso no coração. — Gostaria de ter te salvado também. Que fosse diferente e…— Não! — ele se ergueu, imponente, tão parecido com Blake, só que mais maduro, mais velho, mais cansado.Seus olhos encontraram os meus, cheios de gratidão e uma paz que eu nunca tinha visto antes.— Você fez o que eu não consegui. Libertou meu irmão. Deu a ele o que eu nunca pude da
POV: AYLAContinuei andando em sua direção. A escuridão se afastava diante da luz que emanava do meu corpo, como se temesse. Mas a poça de água negra sob meus pés afundava meu corpo conforme eu avançava, como se o lugar onde meu irmão estava o tivesse intencionalmente afogando em coisas ruins, sentimentos ruins, em trevas.— Não, Theo, não é — respondi, a voz cheia de sinceridade. — Falharam com você. Nossos pais falharam. Eu falhei.Continuei prosseguindo. A água negra já chegava ao meu pescoço, tentando me puxar para baixo. Mas eu segui mais fundo, ignorando o peso que me arrastava, ignorando o frio que queimava minha pele.Por ele. Por mim. Por Blake.— Não devíamos ter o deixado… não devíamos ter o temido por ser diferente… — meu corpo vacilou, sendo puxado para baixo. Ra





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