Mundo ficciónIniciar sesiónA noite da Lua de Sangue nunca trazia boas notícias. Rennan sentiu antes mesmo de ver. Um cheiro desconhecido atravessou a floresta, invadindo seus sentidos e despertando o lobo dentro dele de uma forma que jamais havia acontecido. Não era ameaça. Não era medo. Era… reconhecimento. Enquanto a alcateia se preparava para proteger o território, o Alpha percebe que alguém cruzou suas fronteiras — alguém que não pertence a lugar nenhum. Caroline só queria passar despercebida. Sobreviver mais uma noite. Fugir mais uma vez. Mas, ao entrar no território errado, ela desperta a atenção do único homem que poderia destruí-la… ou mudar seu destino para sempre. Sob a Lua de Sangue, dois caminhos se cruzam. E o destino começa a despertar.
Leer másA noite havia se instalado lentamente sobre a alcateia, como um manto silencioso envolvendo cada cabana, cada trilha e cada sentinela em descanso.
O vento soprava suave entre as árvores altas, carregando o cheiro da terra úmida e das fogueiras que já se apagavam. Ao longe, o uivo ocasional de um lobo ecoava apenas para confirmar aquilo que todos sabiam: o território estava seguro. A alcateia dormia. Mas seu Alpha não. Rennan caminhava sozinho pela borda do território, onde a floresta se tornava mais densa e o cheiro dos seus lobos começava a desaparecer. Era ali que ele gostava de ficar quando precisava pensar — longe das responsabilidades, longe das vozes, longe das expectativas que vinham com o título que carregava desde tão jovem. Ser Alpha significava nunca demonstrar fraqueza. Nunca hesitar. Nunca duvidar. E ainda assim… naquela noite, ele duvidava. A lua cheia pairava alta no céu, iluminando a floresta com um brilho prateado intenso. Rennan ergueu o olhar para ela, sentindo o peso familiar no peito. Todos já haviam encontrado seus companheiros. Um a um. Guerreiros. Caçadores. Até os mais jovens da alcateia já tinham reconhecido seus vínculos destinados. Ele havia conduzido cerimônias, protegido casais recém-unidos, testemunhado o brilho nos olhos daqueles que encontravam a própria metade. E sempre acreditou que o mesmo aconteceria com ele. Mas os anos passaram. Vinte e cinco invernos. Nenhum sinal. Nenhum chamado. Nenhuma presença que despertasse o instinto de reconhecimento. No início, ele esperou. Depois… apenas aceitou. Kael se moveu dentro dele. O grande lobo branco despertou lentamente, seus olhos vermelhos observando através da mente do Alpha. — Você está pensando nisso novamente. Rennan soltou um suspiro baixo. — Não deveria? — Um Alpha não precisa de companheira para governar. — Talvez não. Ele passou a mão pelo tronco de uma árvore antiga, sentindo a textura áspera sob os dedos. — Mas deveria existir algo além da liderança. O silêncio respondeu primeiro. O vento soprou entre as folhas, fazendo-as dançar sob a luz da lua. Kael permaneceu quieto por alguns segundos antes de falar: — Você sente falta de algo que nunca conheceu. A verdade atingiu Rennan com força. Não era solidão. Era ausência. Como se parte de sua vida estivesse destinada a existir… mas nunca tivesse chegado. Ele fechou os olhos. Por um instante, algo atravessou seu peito. Uma sensação rápida. Leve. Quase como um sussurro distante chamando por ele. Rennan abriu os olhos imediatamente. — Sentiu isso? Kael também se ergueu. Alerta. — Sim. O Alpha girou o corpo lentamente, observando a floresta escura. Nada. Nenhum invasor. Nenhuma ameaça. Mas o ar parecia… diferente. Mais vivo. Mais atento. — Algum lobo cruzou o território? — Não. — respondeu Kael. — Mas algo mudou. Rennan permaneceu imóvel, tentando identificar o motivo daquela inquietação repentina. Era como se a própria lua tivesse se movido. Como se o destino tivesse dado o primeiro passo sem pedir permissão. Ele não sabia explicar. E odiava não entender algo dentro do próprio território. Depois de alguns minutos, a sensação diminuiu. Rennan respirou fundo. — Imaginação. Kael não concordou. — Não foi. O Alpha ignorou o comentário e começou a caminhar de volta para a alcateia. O dever sempre vinha primeiro. Mas enquanto retornava, uma certeza estranha começava a nascer dentro dele: algo havia despertado naquela noite. Algo que não era ameaça. Não era guerra. Era… mudança. E ele ainda não sabia que, em algum ponto da mesma floresta… uma renegada observava a mesma lua. Sem saber… os caminhos deles já haviam começado a se aproximar.A lua cheia ainda dominava o céu quando Rennan deixou o lago.O ar noturno carregava o cheiro da floresta, da água… e dela.Caroline.Cada passo que ele dava parecia errado, como se estivesse indo contra algo dentro de si. O vínculo recém-desperto pulsava em seu peito, quente e vivo, puxando-o de volta.Kael caminhava inquieto dentro dele.— Você está indo embora dela.— Eu preciso pensar.— Você precisa dela.Rennan não respondeu.Porque, pela primeira vez desde que assumira o posto de Alpha, ele não confiava totalmente no próprio controle.Atrás das árvores, sem que nenhum dos dois percebesse…alguém observava.Barbara.A Beta permanecia apoiada contra um tronco antigo, os braços cruzados e um sorriso silencioso nos lábios.Ela não tinha seguido o irmão por desconfiança.Apenas curiosidade.Desde o treino, algo nele havia mudado — e Barbara jamais ignorava mudanças no Alpha da alcateia.E agora…ela entendia tudo.Ela havia visto.A aproximação.A conversa longa.A forma como Rennan
A lua cheia permanecia alta no céu.O lago refletia sua luz como um espelho vivo, e o mundo parecia existir apenas naquele pequeno espaço entre Rennan e Caroline.Nenhum dos dois se afastou.Nenhum dos dois quis.O silêncio que veio após o despertar daquela sensação estranha não foi desconfortável. Pelo contrário… era acolhedor. Como se, pela primeira vez, ambos estivessem exatamente onde deveriam estar.Caroline sentou-se na grama próxima ao lago, ainda tentando entender o que havia acontecido.Rennan permaneceu ao lado dela.Perto demais.Mas nenhum deles questionou a distância.— Isso nunca aconteceu comigo — Caroline murmurou, observando o reflexo da lua na água.Rennan soltou um leve riso sem humor.— Comigo também não.Kael estava inquieto.Muito inquieto.— Ela é nossa companheira. Marque-a.O impulso veio forte, quase físico.Rennan fechou levemente a mandíbula, lutando contra o instinto.— Ainda não.— Ela é nossa.— Eu sei.Caroline virou o rosto para ele.— Você disse algum
A lua cheia surgia lentamente no céu.Grande.Brilhante.Imponente.Sua luz prateada atravessava as árvores do território da alcateia como se tocasse cada alma ali presente. Para lobos, noites de lua cheia nunca eram comuns. Os sentidos ficavam mais aguçados, as emoções mais intensas, os instintos mais difíceis de controlar.E, naquela noite…Caroline sentia tudo demais.Ela caminhou até o lago quase sem perceber quando decidiu sair da cabana. Era como se algo a puxasse. Um chamado silencioso, constante, impossível de ignorar.O ar estava frio.A água refletia a lua perfeitamente, formando um espelho prateado que parecia vivo.Caroline parou à beira do lago.Respirou fundo.O coração batia rápido.Muito rápido.Hera estava inquieta.— Você sente? — perguntou a loba.— Estou sentindo tudo… — Caroline respondeu mentalmente, levando a mão ao peito. — O cheiro da floresta… o vento… os sons… está tudo amplificado.Mas não era só isso.Havia algo mais.Uma presença.Uma sensação quente corr
O treinamento já estava chegando ao fim.Alguns lobos se dispersavam pelo campo, outros ainda trocavam golpes leves para encerrar o dia. O sol começava a descer lentamente atrás das árvores, pintando o território da alcateia com tons dourados e sombras longas.Caroline estava sentada próxima à margem do campo, recuperando o fôlego enquanto limpava as mãos sujas de terra. Hera permanecia tranquila dentro dela, satisfeita.— Você foi bem.Caroline sorriu discretamente.— Eu sobrevivi.— Não. Você pertenceu ao momento.Antes que Caroline respondesse, Barbara observava tudo alguns metros atrás.Mas não era Caroline que prendia totalmente sua atenção.Era Rennan.O Alpha permanecia parado onde estivera durante todo o treino.Imóvel.Silencioso.Observando.Barbara estreitou levemente os olhos.Ela conhecia o irmão melhor do que qualquer um ali.Rennan observava treinamentos todos os dias. Era parte do papel dele como Alpha.Mas aquilo…não era avaliação.Era foco.E o foco dele tinha nome.
Último capítulo