Mundo ficciónIniciar sesiónA floresta estava mais silenciosa do que o normal.
Nem os animais pareciam se mover com naturalidade naquela noite. O vento soprava em rajadas curtas, como se algo estivesse mudando o equilíbrio do território. Rennan sentiu antes de ver. Kael despertou imediatamente dentro dele. — Tem alguém aqui. O Alpha parou no meio da trilha. Os olhos dourados varreram a floresta com precisão absoluta. — Eu sei. Ele não estava em patrulha formal. Apenas caminhava sozinho pelos limites internos da alcateia, algo que fazia com frequência para manter controle do território. Mas aquilo era diferente. O ar carregava um cheiro estranho. Não pertencente. Não reconhecido. E… feminino. Kael se moveu inquieto. — Ela está perto. Rennan franziu o cenho. — Não há ninguém da alcateia aqui. — Não é da alcateia. O instinto dele ficou alerta. Renegados eram raros dentro do território central. E ainda assim, aquele cheiro não parecia de invasão hostil. Parecia… perdido. Ele avançou lentamente entre as árvores. Cada passo fazia o silêncio parecer mais pesado. Até que ouviu. Um som leve. Folhas sendo pisadas. Rennan parou imediatamente. Olhou na direção do som. E então a viu. Caroline. Ela estava alguns metros à frente, parcialmente iluminada pela lua que atravessava as árvores. Os cabelos levemente bagunçados pelo vento, o corpo em posição de alerta. E os olhos… atentos. Ela não o tinha visto ainda. Rennan ficou imóvel. Algo estranho atravessou seu peito. Não era apenas curiosidade. Era reconhecimento… sem explicação. Kael rosnou baixo dentro dele. — É ela. Rennan não respondeu. Porque naquele instante… não conseguiu. Caroline deu mais um passo à frente. O cheiro dele chegou até ela primeiro. Forte. Dominante. Instintivo. Hera despertou imediatamente. — Perigo. Caroline ficou parada. O coração acelerou sem motivo claro. Ela olhou ao redor lentamente. — Tem alguém aí? Silêncio. Mas não era vazio. Era pesado. Como se alguém estivesse muito próximo. Observando. Rennan deu um passo à frente. Sem perceber. O galho sob seu pé quebrou. Crack. Caroline virou rapidamente. E então seus olhos se encontraram. O mundo pareceu parar. Dourado contra castanho. Alpha contra renegada. Instinto contra instinto. Por um segundo, nenhum dos dois se moveu. O vento passou entre eles, mas não trouxe som algum. Só presença. Só tensão. Só algo que nenhum dos dois sabia nomear. Caroline respirou fundo. — Quem é você? A voz dela saiu firme… mas havia um leve tremor escondido. Rennan a observou com atenção. Ela não demonstrava medo total. Mas também não relaxava. Isso chamou sua atenção mais do que deveria. — Você está no território da alcateia — respondeu ele finalmente. A voz dele era baixa. Controlada. Autoritária sem esforço. Caroline estreitou os olhos. — Eu não sabia que havia uma alcateia aqui. — Agora sabe. Silêncio. O vento aumentou levemente. Kael se aproximou da superfície da mente de Rennan. — Ela não mente. Rennan percebeu também. Ela realmente parecia… perdida. Não invasora. Não ameaça. Hera se moveu dentro de Caroline. — Ele não vai atacar. Mas o corpo dela ainda estava em alerta. Porque algo naquele homem… era intenso demais para ignorar. Rennan deu um passo mais perto. A distância entre eles diminuiu. E algo mudou no ar. Como se o mundo tivesse ficado mais estreito. Mais focado. Caroline engoliu seco. — Eu só estou de passagem. Rennan a observou por mais um instante. E então… algo nele cedeu. Não totalmente. Mas o suficiente para mudar o tom. — Você não deveria estar sozinha aqui. Caroline franziu o cenho. — E você não respondeu minha pergunta. Um leve silêncio. Quase… curioso. Rennan finalmente disse: — Rennan. Só isso. Mas o nome carregava peso. Caroline hesitou. — Caroline. Quando ela disse seu nome… algo dentro de Kael reagiu imediatamente. E dentro de Hera também. Um reconhecimento silencioso. Ainda não compreendido. Mas inevitável. Rennan não sabia explicar. Mas aquela mulher diante dele… não era apenas uma renegada na floresta. Era algo que o instinto dele já tinha começado a escolher. Sem permissão. Sem aviso. Sem lógica. E enquanto a lua observava silenciosa acima das árvores… o primeiro encontro havia acontecido. E nada mais seria como antes.






