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Capítulo 3 — A Renegada Sob a Lua

A noite havia caído completamente sobre a floresta.

O céu estava limpo, e a lua cheia dominava tudo com seu brilho prateado intenso, iluminando as copas das árvores e criando sombras que pareciam se mover sozinhas.

Caroline caminhava sem rumo definido.

Sozinha.

Sempre sozinha.

Os pés tocavam o solo úmido da floresta com leveza treinada, mas seu coração carregava um peso que não diminuía com o tempo. Ela já havia aprendido a sobreviver naquele estado — entre a liberdade e o abandono.

Desde que deixara sua antiga alcateia, a floresta havia se tornado seu lar temporário.

Ou talvez… sua fuga permanente.

Ela parou ao alcançar uma clareira aberta, onde a luz da lua caía diretamente sobre o chão. O brilho prateado parecia quase sobrenatural ali, como se aquele lugar tivesse sido feito para ser observado.

Caroline respirou fundo.

O vento passou por seus cabelos, frio e constante.

— Aqui está bom — murmurou para si mesma.

Mas não era só ela ali.

Dentro dela, Hera se moveu.

A loba prateada despertou com atenção imediata, os sentidos mais aguçados do que os dela.

— Não estamos sozinhas.

Caroline franziu o cenho.

— Eu também senti.

Ela olhou ao redor lentamente.

Nada.

Apenas árvores.

Sombras.

E silêncio.

Mesmo assim, a sensação persistia — como se a floresta estivesse… observando.

Caroline caminhou até uma pedra lisa no centro da clareira e se sentou. Ergueu o rosto para a lua.

A luz bateu em seus olhos como uma lembrança distante de algo que ela nunca teve permissão de alcançar.

A vida na antiga alcateia passou por sua mente sem aviso.

Os olhares.

Os julgamentos.

As palavras cortantes.

Juliana.

Sua irmã.

A escolhida.

A perfeita.

A aceita.

E ela…

Caroline fechou os olhos com força.

A rejeitada.

A culpada por algo que não fez.

A acusada sem defesa.

Ela respirou fundo, tentando afastar as memórias.

Mas elas sempre voltavam.

Hera se aproximou mentalmente, envolvendo sua consciência com uma calma silenciosa.

— Você não é mais daquela alcateia.

Caroline soltou um riso baixo, sem humor.

— Mas ainda carrego o que fizeram comigo.

A loba não respondeu imediatamente.

Porque sabia que aquilo era verdade.

O vento soprou mais forte.

As folhas das árvores se moveram de forma estranha, como se reagissem a algo invisível.

Caroline abriu os olhos novamente.

Dessa vez… o silêncio parecia diferente.

Mais pesado.

Mais atento.

Ela levantou-se devagar.

— Tem algo aqui… — murmurou.

Hera ficou em alerta total.

— Não sentimos ameaça direta… mas sentimos algo próximo.

Caroline girou lentamente sobre os próprios pés.

Nada.

Mas a sensação não diminuía.

Era como se alguém estivesse muito perto… mas fora de alcance.

Observando.

Ela apertou levemente os punhos.

— Quem está aí?

Nenhuma resposta.

Apenas o vento.

Ainda assim, seu corpo reagia como se estivesse sendo analisado.

Como se a própria floresta estivesse esperando algo acontecer.

Caroline deu um passo para trás.

Instinto puro.

Hera também se moveu, tensa.

— Não é caçador comum.

Caroline engoliu seco.

— Então o quê?

Mas não houve resposta.

A sensação simplesmente… passou.

Como se algo tivesse recuado.

Como se estivesse satisfeito apenas em observar.

Caroline respirou fundo novamente, tentando acalmar o próprio coração.

— Isso está ficando estranho…

Ela voltou a olhar para a lua.

E, por um breve instante, teve a sensação de que aquela luz não era apenas sobre ela.

Mas sobre algo maior.

Algo que ainda não havia começado.

Algo que estava… chegando.

Hera sussurrou por dentro, em tom baixo:

— Alguém vai nos encontrar.

Caroline franziu o cenho.

— Não temos ninguém.

A resposta veio suave.

Quase inevitável.

— Ainda.

Caroline ficou em silêncio.

O vento passou novamente.

Mais calmo agora.

Mas a sensação permaneceu.

E mesmo sem entender o motivo…

ela sentiu que aquela noite não era como as outras.

Algo havia mudado na floresta.

Algo que ainda não tinha nome.

E, sem saber…

ela já estava no caminho de um Alpha que observava a mesma lua.

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