A chuva da madrugada deixou marcas sutis pela fazenda. Não foram poças profundas nem lama pesada, mas um brilho novo sobre a terra, como se tudo tivesse sido polido com cuidado. O cheiro de chão molhado persistia no ar quando Isabella acordou, trazendo com ele uma calma que não sentia havia meses.
Ela ficou alguns instantes deitada, a mão repousando sobre o ventre, num gesto que já começava a se tornar hábito. Não esperava resposta, não esperava sinal algum — ainda assim, sentia-se acompanhada. Havia algo ali que não pedia explicação. Apenas presença.
Rafael acordou pouco depois, espreguiçando-se devagar.
— Choveu de verdade. — comentou, com um sorriso satisfeito.
— O suficiente. — Isabella respondeu, suavemente — Como quase tudo que importa.
Tomaram café na varanda, observando a fazenda despertar. O pasto ainda não estava verde de novo, mas parecia menos cansado. As folhas das árvores pingavam lentamente, e os animais se moviam com mais disposição.
— Eu pensei numa coisa ontem à noit