Os dias seguintes se acomodaram uns dentro dos outros com uma delicadeza nova. Não havia pressa, nem aquela ansiedade que costumava acompanhar mudanças grandes demais. A fazenda seguia seu ritmo antigo, mas Isabella percebia — agora com mais clareza — que o tempo não era mais o mesmo. Não porque andasse mais rápido ou mais lento, mas porque tinha aprendido a esperar. A barriga ainda não denunciava nada ao mundo. Apenas a ela. Um peso mínimo, quase imaginado, que às vezes a fazia sorrir sozinha no meio do curral ou parar por um instante a mais na varanda, respirando fundo. Rafael notava esses silêncios e não os interrompia. Aprendera que nem todo pensamento precisa de resposta.
Numa manhã clara, Isabella decidiu reorganizar o quarto dos fundos. Era um espaço pouco usado, com janela para o pomar e paredes que guardavam o cheiro antigo da casa. Não disse em voz alta o motivo, mas Rafael entendeu assim que a viu abrindo as janelas, deixando o sol entrar.
— Não é agora. — ela disse, antes