A primeira chuva não veio do céu, veio do corpo. Isabella percebeu numa manhã em que acordou com o coração acelerado, não por medo, mas por um tipo novo de urgência. Sentiu uma tontura leve ao se levantar e precisou apoiar a mão na parede do corredor. Respirou fundo, esperou passar. Passou. Como tudo vinha passando, devagar, no tempo certo.
Na cozinha, Rafael já estava acordado, preparando a mesa do café da manhã, o rádio ligado baixo tocando uma moda antiga.
— Você tá pálida. — disse, sem alarme, apenas atento.
— Tô bem... — respondeu, sincera — Só... diferente.
Ele se aproximou, colocou a mão na nuca dela, medindo a temperatura como quem aprendeu a cuidar sem dramatizar.
— Hoje você não vai pro sol. — disse, cuidadoso — Fica na sombra, resolve alguns papéis e descansa.
— Eu não tô doente.
— Eu sei. — concordou, sorrindo — Mas tá gerando alguém. Dá trabalho.
Ela riu, entregue.
O dia correu mais manso. Isabella ficou entre a varanda e a sala, organizando anotações antigas da faz