O entardecer chegou quase sem aviso, como se o dia tivesse passado mais rápido do que eles perceberam. O céu começou a se pintar de tons quentes, e a fazenda ganhou aquele ar suspenso de fim de tarde — quando tudo desacelera e até o silêncio parece respirar.
Isabella estava sentada no batente da porta, descascando laranjas com calma. O cheiro cítrico se espalhava pelo ar, misturado ao perfume da terra aquecida pelo sol. Rafael observava de longe, apoiado na cerca, fingindo atenção ao curral, mas voltando os olhos para ela a cada poucos segundos.
— Você vai acabar cortando o dedo se continuar distraída assim. — ele disse, aproximando-se.
— Eu sempre descasquei laranja assim. — ela respondeu, erguendo o olhar — Pensando em outra coisa.
— E no que você tá pensando agora?
Ela demorou um pouco antes de responder. Separou um gomo, ofereceu a ele.
— Em como a vida muda sem pedir licença. E em como, apesar disso, a gente ainda encontra espaço pra ficar. — deu de ombros.
Rafael aceitou a laran