Seis meses se passaram como passam as estações na fazenda: sem pedir licença, mas deixando marcas visíveis em tudo. O luto não foi embora — apenas aprendeu a caminhar ao lado.
A casa já não doía em cada canto. Ainda havia silêncios, mas eles tinham outro peso. A rotina se reorganizara, a terra respondera ao cuidado, os animais estavam saudáveis, o pomar carregado. Isabella aprendera a comandar sem endurecer, a honrar o avô sem viver à sombra dele. E Rafael… Rafael criara raízes. A fazenda agora também era dele.
Naquele fim de tarde, o céu estava limpo, azul profundo, com nuvens rareadas que pareciam ter parado só para assistir. Isabella caminhava em direção ao pomar sem pressa, atendendo ao pedido estranho de Rafael.
— Preciso te mostrar uma coisa.
Ele não dissera mais nada, apenas sorrira daquele jeito contido que sempre antecedia algo importante. A árvore estava ali, firme, do mesmo jeito de sempre. O tronco largo, a sombra generosa. O lugar onde, meses atrás, o chapéu de palha de S