Os dias seguintes foram costurados por pequenas repetições que, pouco a pouco, criavam uma nova ordem. Isabella passou a acordar antes do sol, não por obrigação, mas porque o corpo chamava. Caminhava até o terreiro ainda envolto pela névoa baixa, respirava fundo e deixava que o silêncio a preparasse para o que viesse. Às vezes, fechava os olhos e quase podia ouvir o avô atrás dela, pigarreando antes de dizer alguma obviedade sábia demais para ser ignorada.
Rafael, por sua vez, encontrou um lugar que não sabia estar procurando. Assumiu tarefas sem pedir permissão, mas sempre esperando o olhar de Isabella — não como quem busca aprovação, e sim como quem respeita o comando. Entre eles, havia um acordo mudo: nada seria imposto, tudo seria construído.
Numa manhã, chegaram juntos ao curral e encontraram Tonico discutindo com um fornecedor ao telefone. Isabella ouviu de longe, percebeu o tom e interveio com calma firme.
— A entrega pode atrasar, mas o combinado é o combinado. — disse, pegand