Numa manhã de céu claro, Isabella acordou com o som do rádio antigo ligado na cozinha. A música era baixa, quase um murmúrio, mas reconhecível. Parou na porta e ficou observando Rafael mexer no fogão, concentrado em não queimar o pão.
— Você ligou o rádio. — ela disse.
Ele se virou, meio sem jeito.
— Tava silêncio demais. E, achei que ele ia gostar.
Isabella se aproximou, apoiando-se no batente.
— Ele ligava sempre nessa hora. — comentou — Dizia que a casa precisava acordar junto com a gente.
Rafael sorriu de canto.
— Então achei que fazia sentido.
Ela ficou ali alguns segundos, absorvendo a cena. Não doeu como antes. Havia uma pontada, sim — mas vinha acompanhada de algo parecido com gratidão.
Depois do café, Isabella foi até o galpão antigo. Abriu caixas que estavam fechadas havia anos, separou ferramentas, encontrou papéis amarelados, recibos, anotações do avô feitas à mão. Em uma delas, reconheceu a caligrafia firme. “Cuidar da terra é aprender a esperar.” Ela passou os dedos pelas