A melodia foi se dissolvendo aos poucos, como se o próprio ar a absorvesse. Rafael deixou os dedos repousarem sobre as cordas, sem pressa de encerrar aquele instante. O som tinha cumprido sua função — não a de entreter, mas a de sustentar.
Isabella abriu os olhos devagar. O céu estava coalhado de estrelas, e a lua desenhava sombras suaves no terreiro. Por um momento, tudo parecia suspenso: o tempo, a dor, as perguntas. Restava apenas aquele agora silencioso, compartilhado.
— Ele costumava sentar exatamente ali. — ela disse, apontando para o canto da varanda onde a cadeira de balanço permanecia encostada — No fim do dia, ficava olhando a terra, como se conversasse com ela.
Rafael seguiu o gesto com o olhar.
— Acho que ele ainda conversa. — respondeu — A gente só não escuta do mesmo jeito.
Isabella sorriu de leve, mas os olhos marejaram.
— Sabe o que mais me dói? — confessou — Não é só a falta, é não poder contar as coisas novas pra ele. Dizer que consegui ou que não consegui.
Rafael re