O silêncio permaneceu no quarto por longos minutos depois que as palavras de Seu Anselmo se dissolveram no ar. Não era um silêncio de ausência — era cheio demais. Isabella continuava com a mão sobre o rosto do avô, como se o calor ainda pudesse ancorá-lo ali. O peito dele subia e descia devagar, cada respiração um esforço, cada intervalo uma espera que doía. Rafael ficou de pé ao lado da cama, sem saber onde colocar as mãos, o corpo inteiro em vigília. Ele nunca tinha visto a força se despedir daquele jeito: sem barulho, sem luta, apenas cedendo.
— Vô... — Isabella chamou baixinho, inclinando-se mais perto — Eu tô aqui.
Os olhos do velho Anselmo se abriram outra vez, por um segundo apenas. Havia cansaço, mas também lucidez. Ele olhou para Isabella como quem tenta guardar um rosto para levar consigo.
— Eu sei. — murmurou — Sempre esteve.
O olhar dele deslizou até Rafael.
— Não deixa ela carregar tudo sozinha.
Rafael se aproximou mais, a voz embargada.
— Não vou. Prometo.
Um sopro longo