O carro avançava devagar pela estrada de terra, levantando pouca poeira, como se até o chão soubesse que aquele não era um dia comum. O céu estava claro demais para a tristeza que se espalhava pela fazenda, e ainda assim havia algo no ar — um peso contido, um silêncio diferente, mais respeitoso.
Isabella estava sentada no banco da frente, com as mãos entrelaçadas no colo. Ao lado dela, Rafael dirigia em silêncio, atento a cada curva, a cada buraco da estrada. No banco de trás, Seu Anselmo respirava com dificuldade, mas mantinha o olhar firme voltado para a paisagem que conhecia como parte do próprio corpo.
— A terra continua bonita! — ele murmurou, com a voz fraca — Mesmo quando a gente tá cansado demais pra cuidar dela.
Isabella virou-se imediatamente.
— O senhor precisa descansar, vô. Não fala assim.
Ele sorriu de leve.
— Descansar não é sempre dormir, menina. Às vezes é só voltar.
Quando avistou a porteira da fazenda, Anselmo pediu que Rafael parasse o carro.
— Deixa eu entrar a pé.