A lanchonete do hospital era um lugar estranho: cheirava a pão amanhecido, café fraco e ansiedade. Isa empurrou a bandeja sem muita fome, enquanto Rafael observava mais do que comia.
— Você devia pelo menos tentar. — disse, apontando o sanduíche.
Ela deu uma mordida minúscula.
— Satisfeita.
— Isso nem conta.
Isa ergueu o olhar, cansado, mas firme.
— Rafa, quando eu te disse aquilo, não estava esperando resposta. Só não queria guardar mais.
— E eu não queria fugir da resposta. — respondeu honesto — Talvez a gente tenha passado tempo demais fingindo que não sabia.
Isa apoiou os cotovelos na mesa.
— Tanta coisa mudou, a fazenda, meu avô...
— E você. — ele completou.
Ela ergueu um olhar surpreso.
— Eu?
— Você não é mais aquela menina que esperava eu voltar — disse, com cuidado — Agora você segura o mundo com as duas mãos.
Isa soltou um suspiro amargo.
— Às vezes dói.
Rafael pensou um instante, depois tocou a mão dela sobre a mesa — devagar, sem pressa, como quem pede permissão.
— Não prec