O tempo começou a correr diferente na fazenda. Os dias se arrastavam lentos, mas as semanas pareciam voar. Desde que Rafael partira, cada canto da casa parecia guardar um eco dele — o violão encostado no canto da varanda, o banco em que costumava se sentar ao entardecer, o jeito como a risada dele preenchia o ar. Isabella tentava ocupar as horas. Ajudava o avô nas plantações, cuidava dos animais, consertava o que precisava ser consertado. Mas, às vezes, no meio da lida, sentia o coração apertar sem aviso, como se um pedaço dela tivesse ido embora com ele. Seu Anselmo percebia, mas não dizia nada. Apenas observava, paciente, como quem sabe que há dores que não se curam com conselhos.
Numa tarde de céu nublado, Isa varria o alpendre quando o rádio chiou de novo. Era uma gravação antiga do programa da semana anterior.
A voz do locutor ecoou no ar:
— De volta com o sucesso de Rafael Torres, o rapaz da voz que vem do coração!
O coração dela quase parou. Então era isso: ele começava a ser